Após um lançamento mundial que arrecadou acima das expectativas, Aladdin se mostrou um sucesso, mesmo com críticas mistas, principalmente antes da estreia, quando foi muito falado sobre o efeito do gênio ou se o filme iria “estragar o material original”. Bom, no caso dessas críticas, nenhuma delas estragam a experiencia de assistir Aladdin.

Mas o mais importante é que mesmo que você, que viu o filme há 27 anos atrás, não deve comparar as duas versões. Pois, pensaria se realmente vale a pena ter um filme quase igual, que só muda a animação por atores de carne e osso. A resposta é mais complexa que isso.

As comparações entre os filmes ocorreram, mas não devem atrapalhar a experiência

Não devemos comparar um com o outro. O original é um filme completo, redondo, com técnicas de animação que sempre fez a Disney a número 1. Usando o laranja e azul para destacar os ambientes, o filme é uma obra-prima da animação. E isso é 50% da qualidade do filme. Os outros 50% é Robin Williams. O ator foi a primeira estrela que a Disney contratou para fazer um filme de animação e fez história, pois hoje é comum ter astros neste tipos de filmes. O gênios de Williams foi moldado pelo ator, simplesmente seu poder de improviso foi a inspiração para os roteiristas e animadores. Tanto que foi desenhado para ser parecido com o ator. Desse modo, não teria como Will Smith não sentir a pressão de interpretar o gênio.

Então o filme Aladdin de 2019 é ruim? Não, é um filme muto bom. Embora não tenha nenhuma surpresa, mas há algumas mudanças, que até enriqueceram a história, faz bonito por manter aquilo que a Disney sempre nos presenteou em seus filmes, a magia. A magia de assistir um filme da Disney é que nos leva a sentirmos aquela emoção quando crianças, de torcer pelo herói, nos encantar pela princesa e cairmos na gargalhada com os seus personagens únicos.

Jasmine e Aladdin. A química entre os dois faz o filme realmente nos envolver.

Mena Massoud ficou muito bem como Aladdin, o ladrão de bom coração, um “diamante bruto”. O ator agarrou a chance e entregou um herói valente, embora relutante e muito boa praça. Sentimos empatia por ele, não parece chato ou desinteressante. E teve uma química muito boa com Naomi Scott, a princesa Jasmine. Se Aladdin era o herói relutante, que embora tenha um bom coração, não rouba por riqueza, apenas para comer e luta pela mulher que ama, Jasmine é uma mulher forte e empoderada. Mesmo que no filme de 1992 Jasmine já se apresentava forte e determinada, a versão 2019 cresceu mais na história, tendo um objetivo e brigando para ter voz. Perfeita no papel, Naomi entrega uma interpretação que se não a leva a disputar um Oscar, pelo menos mostra quão talentosa é essa atriz. Com uma música feita especialmente para esse filme, Jasmine não aceita sua condição de “princesa clássica” e é mais importante na história que sua versão animada. Só isso, e um final melhor de sua jornada, já é um grande acerto neste filme.

O gênio e seu amo. Verdadeira amizade acontece.

E não podíamos deixar de falar de Will Smith, o astro do filme. O nome mais conhecido no elenco poderia eclipsar a história nele, mas não é o que acontece. Smith teve a inteligencia de perceber que o filme é sobre Aladdin e que embora com seu poder dentro de Hollywood poderia ter exigido mais espaço, ele se mostra uma ferramenta para a história, não o contrário, deixando o resto do elenco também brilhar. Quando digo também, é que ele também brilhou. Com a responsabilidade de entregar um gênio ao menos que respeitasse o trabalho de Robin Williams, Smith não fez feio.

impossível se comparar ao gênio de Robin Williams, mas Will Smith apresentou um gênio próprio que honra o original

Sabendo que não poderia se comparar ao inigualável gênio de Williams, Will Smith criou sua própria versão, um gênio mais com sua cara, engraçado, menos histriônico e mais descolado, além de usar muito bem seu carisma. Uma versão digna do personagem. E ainda muita se foi falado do efeito especial para dar sua verão azul. Admito que vendo os trailers, também achei estranho, mas acho que até porque vi bastante e ouvi muita gente reclamando, não me incomodou nem um pouco quando o gênio ficava azul e com pernas de fumaça. Até mesmo, Will jogou um pouco de Hip-Hop nas músicas clássicas do filme. A versão Você Nunca Teve Um Amigo Assim, não me causou estranheza e gostei muito. Will pode não ser o Robin Williams, mas não acho que deve alguma coisa a ele, pois entregou um gênio divertido, carismático e até humano.

Naomi Scott, além de muito bonita é super-talentosa. Entregou a melhor versão de uma princesa da Disney, forte e empoderada.

Os figurinos, embora baseado na versão animada, tinha sua própria identidade, assim como as cores usadas no filme, que emulou muito bem as que foram utilizadas no original. Agrabah desse filme se mostra uma versão mais realista, com a pobreza mais evidente, mesmo o filme não fazendo questão de mostrar as pessoas passando dificuldades. Isso faz um ótimo contraste com o castelo, com adornos e beleza sem igual.

E a história? Como disse, não apresenta surpresas em comparação ao filme original, mas atualiza e muda para encaixar melhor nos dias atuais. Enriquece o filme, mesmo que não seja essencial para uma história que já era perfeita em 1992. Você consegue ver muita coisa da animação, mas percebe muita coisa nova e até consegue comparar, pois há mudanças sutis e outras bem visíveis. Mas a história segue muito bem e até mesmo achei o final melhor que o original, pela maneira abruta que ela terminava.

Jafar se tornou um vilão cartunesco e Iago, um papagaio que só repete o que falam. Ambos sem carisma.

Mas nem tudo são flores. O grande problema do filme são os vilões. Marwan Kenzari entrega um Jafar muito burocrático e caricato. Não consegui percebê-lo como uma verdadeira ameaça, parecia só alguém tentando ser o que não é. Mesmo que ele também tenha mais importância na história, até mesmo temos um pouco do passado para sabermos como ele chegou a ser quem é, não conseguiu entregar um vilão que nos importássemos. E pior ainda foi Iago, seu papagaio. Esse é que foi reduzido a um papagaio mesmo. Iago era um dos personagens mais carismáticos do filme original, era responsável pelos comentários mais ácidos que tínhamos visto em um filme da Disney, chegava a quase ser politicamente incorreto. Ao transformá-lo em uma mera ave que praticamente repetia tudo que se dizia, ou umas frases mecânicas, o personagem acabou se tornando descartável. Uma pena, pois nas continuações que foram direto para Home Video e na série de TV, Iago passava a fazer parte do grupo do Aladdin, visto o sucesso que o personagem teve.

O filme merece o sucesso que está fazendo

E não poderíamos esquecer as músicas. Alan Menken, o compositor original e ganhador de 8 Oscars, volta para atualizá-las e ainda acrescenta uma melodia para a nova musica que foi feita para a princesa Jasmine (que na verdade só tinha uma que dividia com o Aladdin, Um Mundo Ideal), com letras dos compositores Benj  Pasek e Justin Paul, dupla de La La Land: Cantando Estações, que foram contratados pela Disney para escrever novas canções para o filme. Embora tenham atualizado as músicas, com um pouco de Hip-Hop nas canções de Will Smith, se mantiveram inconfundíveis, mantendo suas melodias. Não acredito que concorram novamente ao Oscar, pois são as mesmas músicas, mas são ótimos escutá-las em nova versão, só para variar um pouco.

Sim, todas as músicas estão lá. Um Mundo Ideal

Aladdin talvez não tenha um motivo além de financeiro pelo lado da Disney, para arrecadar mais dinheiro, mas é um filme que vale ver, levar os filhos para assistir junto conosco e mostrar aquela que é a maior qualidade da Casa do Mickey, a magia Disney. Enquanto houver, seus filmes sempre serão necessários.

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