Batman é um dos personagens mais famosos do mundo, tendo uma importância como poucos na cultura pop. Sua história começou há 80 anos, quando a DC encomendou um personagem para aproveitar o sucesso de uma outra criação da editora, o Superman.

Anos 40 – Nasce a lenda do morcego

A história de Batman começou antes de sua estreia em 1939. Em 1935 o fundador da National Publications, uma das primeiras editoras americanas a publicar HQs, Malcom Wheeler-Nicholson, lançou a primeira revista com historia totalmente original, a New Fun Comics, pois até aquela revista, todos os materiais eram republicações de tiras de jornal. Com o sucesso desta revista, a National, no mesmo ano criou uma nova revista, a New Comics. Como ambas as revista eram um sucesso, foi criado em 1937, a revista Detective Comis, com histórias policias. Curiosamente, nesta revista, houve algumas histórias da dupla Jerry Siegel e Joe Shuster, que viriam a criar o primeiro e maior herói dos quadrinhos, o Superman.

Detective # 1. lançada em 1937

A estreia do Superman na Action Comics iniciou uma era de ouro das HQs e o sucesso extraordinário fez a National buscar aumentar esse sucesso criando mais personagens. Então a editora encomendou ao jovem Bob Kane, um artista de 19 anos, que produzisse um novo personagem. Bob Kane, então, foi para outro caminho na criação de seu personagem, pois não o deu poderes e utilizava o medo como arma. Buscou diversas inspirações como o vilão encapuzado do filme The Bat Whisper de 1939, Zorro de 1919 e Morcego Negro de 1933, além de usar os esboços de Leonardo Da Vinci. Mas foi com o auxílio de seu amigo e roteirista, Bill Finger, que o Batman realmente nasceu e foi a base para o que conhecemos hoje. Pois a ideia de Kane era que fosse um homem com asas. Mas Finger o transformou em um morcego. Todo o visual foi ideia de Finger e durante décadas Kane ficou com os créditos, só admitindo que Finger foi o co-criador, após a morte do amigo, em 1974.

A estreia de Bat-Man ( era escrito assim mesmo no início) foi em Detective Comics 27

E em 1939, na revista Detective Comics 27, estreou o Batman, um herói violento e impiedoso, que não tinha super-poderes, mas era um detetive. Sua identidade secreta era Bruce Wayne, um milionário playboy. O Batman neste início de carreira até matava. E não via problema em matar com requintes de crueldade, jogando os vilões pela janela ou em toneis de ácidos ou os usando como escudos humanos. E usava armas de fogo. Somente quando passou a ter revista própria, em 1940, é que os roteiristas começaram a se preocupar com os limites éticos do morcego. A partir de então, ele não matava, e tem se mantido assim até hoje.

Em 1939, matar não era um problema para o Batman. Acima, ele elimina um criminoso em um tanque de ácido.

Com as histórias do Batman fazendo cada vez mais sucesso, houve uma reviravolta no universo do herói quando em Detective Comics 38 estreou o primeiro sidekick das HQs, o Robin. Ele era Dick Grayson, que ficou órfão quando seus pais, que eram trapezistas foram mortos por um gangster, fazendo Bruce Wayne sentir sua dor, pois também era órfão que perdeu os pais em um assalto. Foi uma necessidade de Bill Finger que achava monótono os recordatórios do Batman e queria que ele conversasse com alguém. A estreia do parceiro mirim fez a revista do Batman vender mais que as anteriores. Os fãs agora conseguiam se identificar nas histórias e com isso, as aventuras do herói começaram a ficar mais leves. Alguns meses depois, com o sucesso do menino-prodígio, uma revista do Robin foi lançada.

Detective Comics 38 estreia o Robin. Sucesso imediato

Como todos sabem, o herói somente é bom se sua galeria de vilões também for boa. E nisso, Batman talvez seja, junto com o Homem-Aranha, o melhor. Os principais vilões do morcego apareceram logo cedo na carreira do herói. Logo no primeiro número da sua revista-solo em 1940, junto com o Curinga, estreava também a Mulher-Gato (Selina Kyle), que se tornaria a inimiga-amante-aliada recorrente do morcego. Pinguim (Oswald Cobblepot) estreava em Detective Comics 58, em 1941. Duas-Caras (Harvey Dent) estreou em 1942 na Detective Comics 66, embora nas primeiras histórias ele era chamado Kent. Interessante notar que este personagem, trágico e violento, foi considerado muito forte para os padrões da época e acabou vitimado pela postura politicamente correta dos editores. Um assassino, desfigurado, com problemas psicológicos não sairia ileso. Já na terceira historia, ele fazia uma cirurgia e ficava com o rosto curado. Depois desapareceu das revistas por quase três décadas e só tinha aparições esporádicas de indivíduos que se passavam por ele. Somente em 1968, na revista World’s Finest Comics 173 ele regressou.

Charada, Pinguim e Duas-Caras: Batman tem a melhor galeria de vilões dos Quadrinhos

Anos 50 – Uma década difícil para os Quadrinhos e principalmente para o Batman

Superman e Batman pertenciam a National, que graças ao sucesso da revista Detective Comics, também era conhecida por DC. Embora estivessem na mesma editora, nunca se encontraram, atém mesmo quando a DC lançou a revista World’s Finest Comics, em 1941. Eles dividiam a capa, como se participassem da mesma história, mas na verdade, eram aventuras separadas. Somente em 1954, na edição 71 que ambos se conheceram e revelaram suas identidades secretas. A partir daí, a amizade durou até os dias de hoje. Depois desse encontro, a revista mudou para ser somente entre o encontro dos heróis, e eventualmente de outros também. Foi um sucesso que durou até o ano de 1986.

Somente no número 71 é que a dupla realmente veio a se conhecer.

Nos anos 50, o maior inimigo do Batman não foi criado pela DC, mas era uma pessoa real. O psicólogo Fredric Wertham lançou um livro chamado a Sedução da Inocência em 1954 e embora o ataque era para com todos os gibis, principalmente de heróis, o principal alvo era o Batman. O psicólogo alegava impróprio que um solteiro vivesse com um garoto e um mordomo, o que insinuava tendências homossexuais. Usando imagens e textos fora de contexto, o psicólogo defendia que as histórias do morcego levava os jovens à violência, delinquência juvenil e homossexualismo. Essas acusações perseguiram os personagens por anos, fazendo os editores abrandarem as histórias a ponto de infantilizá-las ao extremo.

O livro de Wertham foi mais uma ideologia, com dados manipulados para fazer valer seu ponto de vista.

Embora Batman tenha sido o mais afetado pelas acusações infundadas de Wertham, para não haver censura do governo, a própria industria viria a criar o um código de conduta, o Comics Code Authority, que vigoraria até o final dos anos 60. E uma personagem acabou sofrendo um duro golpe com esse código. A Mulher-Gato ficou entre setembro de 1954 a novembro de 1966, em uma ausência prolongada.

Mulher Gato, com seu visual anos 40, a personagem teve que sumir pois o código não a aceitava.

Agora que a opinião pública estava contra os quadrinhos e o código estava em uso, as histórias do Batman deixaram de ser interessantes, pois os criminosos não eram mais perigoso, as ameaças deixaram de ser reais e Gotham ficou bem menos sombria. E sem a Mulher Gato, o personagem precisando afastar o rumor de homossexualidade, então tinha que ter um interesse amoroso. Em 1956 foi criada uma nova heroína ao mundo do Batman, a Batwoman. A heroína estreou na Detective Comics 233, escrita por Bob Kane e desenhada por Sheldon Moldoff. Batwoman era a socialite Kathy Kane, que se inspirou no Batman para se tornar uma heroína. E como o morcego, a heroína tinha diversos apetrechos, como uma bolsa de utilidades, fazendo um paralelo com o cinto de utilidades do Batman. Nessa bolsa, tinha tudo que tem na bolsa de uma mulher, só que adaptado para lutar contra o crime. Ela foi o interesse amoroso do Batman durante muitos anos, até que o realismo voltasse e ela foi deixada de lado e esquecida. Voltou só muitos anos depois para morrer na Detective Comics 485, em 1979. A personagem foi reformulada no ano de 2006, ganhando um novo visual e uma nova personalidade, sendo agora lésbica, uma ironia do destino, uma vez que a primeira Batwoman foi criada para afastar os rumores de homossexualidade de Batman.

A primeira Batwoman foi criada apenas para ser interesse amoroso para o Batman

Anos 60 – Batman vira piada

Batman entra nos anos 60 com histórias leves e alegres, vilões de segunda e armadilhas nonsenses, além de um programa de TV, onde era interpretado por Adam West e Burd Ward como o Robin. Um grande sucesso, mas que jogou para o lixo a dignidade do personagem.

A série de TV começou a primeira Batmania, mas jogou a dignidade do personagem no lixo.

De volta as HQs, querendo fazer experimentação, a DC criou uma história em que após a aposentadoria de Bruce Wayne, Dick Grayson assume o manto do morcego e o filho de Bruce com Kathy Kane (a Batwoman), Bruce Wayne Jr, se torno o Robin. Essa história saiu em Batman 161 de 1960, e era narrada pelo mordomo Alfred. Alguns anos depois, esses elementos foram incorporados na Terra 2 ou Terra paralela. Nesta Terra, Batman casa com a Selina Kyle, a Mulher Gato e tem uma filha que se torna a Caçadora original. Em 1999, na minissérie Gerações, Jonh Byrne traz de volta Dick Grayson como Batman e Bruce Jr como Robin.

Na minissérie Gerações, Byrne trouxe as versões Batman de Dick Grayson e Bruce Wayne Jr como Robin. Acima eles encontram o Capitão América em um especial Marvel/DC

Em 1961 Bob Kane, junto com o desenhista Sheldon Moldoff criaram a Batgirl, na edição Batman 139. Mas não era a Bárbara Gordon, como muita gente acha. A Batgirl era Beth Kane, sobrinha de Kathy Kane, que inspirada pela tia, se torna a Batgirl para ajudar Batman e acaba se apaixonando pelo Robin. A personagem teve uma participação muito pequena nas HQs e só voltaria anos depois como Labareta.

Estreia da primeira Batgirl em 1961

Em 1966 estreava uma nova vilã, a Hera Venenosa. O debute de Pamela Isley, foi em Batman 181. Ela era uma botânica que utilizando seus conhecimentos de plantas venenosas e feromônios que fazia os homens obedecerem suas ordens, ela se tornou uma grande inimiga do Batman. Após uma série de derrotas pelo cruzado de capa, voltava cada vez mais perigosa e começou a querer eliminar a humanidade para que pudesse governar.

Hera Venenosa estreou em Batman 181, já causando confusão

Quanto a série camp do Batman fazia sucesso na TV, os produtores pediram para ser criado uma Batgirl. Então, em 1967, estreava a nova Batgirl, na Detective Comics 359, aquela que se tornaria a mais famosa de todas. Criado por Gardner Fox e Carmino Infantino, a heroína era Barbara Gordon, filha do Comissário Gordon (depois de Crises nas Infinitas Terras, virou sua sobrinha), que se inspirou nas façanhas do Batman para se tornar a heroína. Ela atuou durante muitos anos, até que em A Piada Mortal, fica paraplégica ao levar um tiro do Coringa. Mas anos depois, quando a DC fez um novo reboot do Universo DC com os Novos 52, ela voltou a andar.

A Piada Mortal. A cena foi uma das mais impactantes das histórias em quadrinhos

Os anos 60 realmente foi o ponto baixa da carreiro do Batman, com vilões de segunda e bizarrices sem fim. E olha que o Batman tem uma galeria de vilões invejável. Mas nesta década enfrentou criminosos nada expressivos como Homem-Gato, Homem-Pipa, Trio Terrível, e mais outros vilões vergonhosos. Além de enfrentar robôs, alienígenas e até uma multidão de cegos(!). Os únicos vilões que se salvaram foram o Kobra, Mestre das Pistas e O Cara de Barro 2. O pior que nessa época nasceu o Bat-Mirim, o Batman e Robin passavam por transformações bizarras, como o herói se tornando uma versão de zebra, robô, múmia, até o gênio da lâmpada. Realmente era uma década perdida, que fosse melhor esquecer que passou.

Os anos 60 foram os anos tão bizarros que até trajes coloridos o Batman usava

Anos 70 – Batman volta a ser relevante, sombrio e realista

Quando chegou no ano de 1970, Batman ainda era lembrado pela série de TV, como um personagem de comédia e cafonice. Então, neste ano, a DC deu ao trio Neal Adams (desenho), Dennis O’Neil (roteiro) e Dick Giordano (arte-final), a missão de recuperar a dignidade do Homem-Morcego. A equipe estreou em Detective Comics 395, em janeiro de 1970. O trio levou o Batman as origens, aproveitando que Dick Grayson se mudou da mansão para fazer faculdade, fazendo o Batman sozinho para voltar a ser o herói sombrio, com histórias de detetive e contos de horror gótico. Trouxeram os principais vilões da sua galeria de volta, como o Duas-Caras clássico e aumentou a mitologia do personagem ao criarem o Beco do Crime e Asilo Arkham. E Adams revolucionou o design do personagem, utilizando desenhos mais realistas, fazendo uso de ângulos cinematográficos. Seu Batman, mas esguio, corpo bem definido, orelhas do capuz mais longos, capa enorme, foi o padrão pelas décadas seguintes. O sucesso foi imediato e o Homem-Morcego finalmente recuperou sua dignidade. As histórias não lembravam em nada os coloridos anos 60. Eram histórias muito mais adultas. Mesmo depois da saída do Adams, O’Neil continuou escrevendo ótimas histórias.

Adams revolucionou os desenhos dos quadrinhos, fugindo do ar cartunesco que era regra na revista do Batman e introduzindo um design mais realista

A fase estava tão boa para o morcego, que em 1971, na revista Batman 232, surgir o mais intrigante personagem e o que se tornaria um dos principais vilões da galeria do Homem Morcego, Ra’s Al Ghul (Cabeça de Demônio, em árabe). O vilão, que vive à 600 anos graças ao poço de Lázaro, uma fonte que pode prolongar a vida, é um ecoterrorista que quer eliminar parte da população mundial para que o mundo possa sobreviver. ( Antes de pensar que a ideia era do Thanos, lembre que o personagem já tinha essa ideia em 1971). Ra’s percebeu que Batman era o único que era merecedor de seu respeito e poderia ser seu sucessor, sendo também digno de sua filha, Thalia Al Ghul. Na verdade esse relacionamento foi um problema para o Batman, pois na história do especial Batman: Son of The Demon de 1987, uma noite de amor faz que seja gerado o filho de Batman, sem que ele saiba sobre a criança. O final da história mostrava Thalia dando a criança para adoção. Não era uma história canônica, mas Grant Morrinson trouxe o filho para a cronologia do Morcego em 2006.

Thalia e Ra’s Al Ghul, um dos melhores vilões do Batman

Um dos personagens mais prejudicados da galeria de vilões do Batman foi o Duas-Caras. Por causa de sua aparência grotesca, sua psiquê aterradora, violento ao extremo, ficou na geladeira durante 17 anos, deste 1954. Mas O’Neil o trouxe de volta em 1971 em Batman 234, reapresentando a origem do personagem bastante fiel ao original. Duas-Caras voltar a ser um dos maiores vilões do Batman e nunca mais se ausentou por tanto tempo.

Duas-Caras: personagem grotesco demais para os editores da época, retornou ao topo

Em 1973 Batman voltaria a TV, dessa vez em um desenho animado chamado Superamigos, da TV ABC. Era uma versão da Liga da Justiça para crianças, criada pela Hanna-Barbera e foi um sucesso que perdurou entre 1973 à 1986, com a participação do Batman em todas as formações da equipe. Mas em 1977 o morcego ganhou um desenho solo, pela CBS, The New Adventures of Batman. Tanto nos Superamigos, quanto na série solo, Batman sempre teve a companhia do Robin, mas durante toda a década de 70, ele atuava sozinho nas HQs, com poucas aventura ao lado ou da Batgirl ou do garoto-prodígio.

O clássico desenho sempre teve Batman e Robin na suas aventuras

Hoje, até quem não é fã dos quadrinhos do Batman, conhece o Asilo Arkham, seja por causa dos jogos da Rocksteady, ou por causa do filme Batman Begins. Mas o Asilo estreou em 1974, em Batman 258, como um manicômio para criminosos insanos de Gotham. Coringa e Duas-Caras eram hóspedes habituais de lá. Os criminosos sãos iam para a prisão Blackgate. Com o tempo Arkham se tornou um lugar não só para criminosos insanos, mas para todos aqueles que não poderiam ficar em uma prisão convencional, como Sr. Frio, que não era louco, mas precisava de equipamento especial para sobreviver. O asilo foi inspirado em um conto de horror de H.P. Lovecraft. Até o nome do Asilo era da cidade onde ela habitava, mas com o tempo a cidade foi esquecida e Arkham passou a ficar em Gotham mesma.

Coringa em Arkham. Foi no sanatório que conheceu a psiquiatra que se tornaria Arlequina

Com o sucesso que Batman desfrutava neste período, a DC tentou capitalizar mais ainda e lançou a revista Batman Family em 1975, que trazia histórias de Batgirl e Robin, que atuavam sozinhos ou como a dupla dinâmica. A inspiração para essa revista era Superman Family que era um sucesso. Mas sem o Batman, o público não teve muito interesse e a última edição foi o número 20, que não teve o desenvolvimento da relação dos personagens, pois a Batgirl achava Robin muito novo. Mas anos depois, com Dick com Asa Noturno e Bárbara como Oráculo, eles engataram um namoro.

A revista da dupla não fez sucesso e o namoro não engatou na época

Em Detective Comics 457, de 1976, foi lançada a história que iria enriquecer ainda mais a mitologia do morcego. A clássica história ‘Não há esperança no Beco do Crime’ criou a obsessão do Batman fazer vigília no local todos aniversários da morte de seus pais, pois foi lá que eles morreram em um assalto e o local recebeu esse nome depois disso. A trama também marca a estreia da Doutora Leslie Thompkins, uma médica humanitária que foi a primeira pessoa a achar o jovem Bruce ao lado dos corpos dos pais. Nos anos 80 ficou estabelecido que ela foi tutora de Bruce, junto com Alfred, eliminando a história da Era de Ouro em que um tio de Bruce tivesse sido seu tutor, Phillp Wayne.

O local recebeu o nome Beco do Crime após a morte dos Wayne por um assaltante. Todos os aniversários desse crime, Batman faz uma vigília no local.

Um dos períodos mais cultuados do Homem Morcego foi quando a DC contratou o escritor Steve Englehart, que vinha de ótima fase na Marvel, tendo escrito os Vingadores e Capitão América. O estilo Marvel de Englehart casou perfeitamente com o Cruzado de Capa, colocando todo aquele drama típico da Casa das Ideias. Englehart fez que Bruce Wayne tivesse um caso com uma socialite chamada Silver ST. Cloud, que além de descobrir que Bruce e Batman eram a mesma pessoa, fez o herói balançar entre se aposentar e casar ou abandoná-la e continuar com sua luta contra o crime. Também escreveu uma série de histórias ótimas com Hugo Strange, um personagem obscuro e esquecido da Era de Ouro. Hugo tinha a obsessão de matar o Batman e tomar seu lugar. A fase de Englehart foi muto cultuada e foi a base para o filme Batman de Tim Burton em 1989.

A fase Englehart foi a mais cultuado do Morcego. Silver quase fez Batman se aposentar.

Em 1977, mais uma vez a DC experimenta uma história diferente, com uma trama em quatro edições, começando em Batman 291. A história começa com um boato que Batman foi morto e logo todo criminoso, para ganhar status, reivindica a autoria. Emulando a atmosfera da série de TV, há o absurdo de que os principais vilões do Batman montarem um júri para descobrir quem foi o responsável. O tribunal é feito em uma mansão de um mafioso de Gotham com Ra’s Al Ghul como juiz, diversos vilões como jurados e Harvey Dent, o Duas-Caras, como promotor. Os suspeitos são Mulher-Gato, Lex Luthor, o Charada e não podia faltar, o Coringa. Mas Batman está mesmo morto? Uma história leve e descompromissada, que vale pela curiosidade.

A história emula o ambiente da série de TV dos Anos 60

O multiverso ainda era muito forte nos anos 70, e um universo em particular era exatamente interessante. A Terra-2 era a Terra dos heróis da Era de Ouro, aqueles que apareceram lá nos anos 40. Neste universo, onde os heróis eram mais velhos, Bruce Wayne estava aposentado, casado com Selyna Kyle, a Mulher Gato e tinha uma filha, Helena Wayne, a Caçadora. Só que um superpoderoso vilão faz Wayne sair da aposentadoria e na batalha, o vilão é derrotado, mas não sem causar a morte do herói. Essa história aconteceu na Adventures Comics 462 em 1979. Após Crises nas Infinitas Terras, a Caçadora foi reformulada para não ter qualquer parentesco com Bruce Wayne.

A morte do Batman. A Caçadora seria atualizada para não ter nenhum parentesco com o Morcego

Anos 80 – A década do Morcego

Os anos 80 foram a melhor época para o Batman, que fez crescer sua popularidade, com minisséries, edições especiais e um filme para o cinema que fez um enorme sucesso, lançando a segunda Batmania mundial.

A primeira minissérie do Cruzado de Capa foi The Untold Legend of the Batman, que a DC lançou em 1980. A mini escrita por Len Win, o co-criador do Wolverine e desenhada por Jim Aparo e Jonh Byrne recontou a origem do Batman, resgatando elementos do passado e adicionando outros. A história muda, transformando Thomas Wayne, o pai de Bruce, no primeiro Batman, já que o médico usava uma fantasia de morcego para animar bailes beneficentes, e até impediu um assalto. E, nesta mini, o assassinato dos Wayne foi uma vingança pelo ocorrido. Foi nesta série que a Dr. Leslie Thompikns foi estabelecida como tutora de Bruce. E também quem criou o uniforme de Robin foi o jovem Bruce, que assumiu essa identidade para aprender investigação com um detetive particular, Harvey Harris. Embora com a maxissérie Crises nas Infinitas Terras tenha jogado tudo isso fora, a minissérie foi precursora de uma avalanche de especiais nos anos seguintes.

The Untold Legend of the Batman foi o início de muitas edições especiais par o Homem Morcego.

Batman sempre esteve participando da Liga da Justiça, mas em 1983, acabou rompendo laços e quando precisou de ajuda para resgatar Lucius Fox de um ditador de um país do Leste Europeu, a Liga se recusou por temer problemas diplomáticos. Isso ocorreu na revista The Brave and the Bold 200. Então Batman formou uma nova equipe, os Renegados e então na edição seguinte a revista deu lugar a Batman and the Outsiders. No número 32 Batman abandona a equipe, que nos anos 2000 é reformulada por Asa Noturna, o primeiro Robin e em 2007, o morcego retorna ao grupo.

Batman lidera os Renegados

Em Detective Comics 523 de 1983, estreava o personagem com a maior quantidade de reformulação dos últimos anos, o Crocodilo. No início era só um chefe de gangue forte que tinha problemas de pele, mas durante os anos foi mudando até virar um Crocodilo humano. Uma das coisas que Croc fez que reverberou durante esse ano foi ter assassinado os pais de Jason Todd. O garoto iria se tornar o novo Robin, já que nos anos 80, o primeiro Robin, Dick Grayson estava liderando os Novos Titãs, que fazia muito sucesso e era a revista mais vendidas da DC neste período. Isso abriu possibilidades para a criação do segundo Robin. Jason Todd era filho de acrobatas que teve os pais mortos pelo Crocodilo e Bruce o acolheu e treinou. Grayson então dá seu uniforme ao Todd e se torna Asa Noturna. Mas com a maxissérie Crises nas Infinitas Terras, a origem de Todd mudou, agora passando a ser um órfão que mora na rua e é pego pelo Batman roubando os pneus do Batmóvel. A cena é tão emblemática, pois como todos tinham medo do Batman e todo mundo conhece seu veículo, ao ver o Batmóvel sem os pneus, ele riu como nunca se tinha visto. Vendo a história e audácia do rapaz ele decide transformá-lo em seu parceiro. Mas embora tenha aparecido em Batman 357, Jason só se tornou Robin na edição 366, ambas de 1983.

Jason Todd se tornou o segundo Robin, embora não tenha ganhado o afeto dos leitores

Em 1986 é lançada aquela que é considerado a história definitiva do Batman, O Cavaleiros das Trevas. A obra-prima de Frank Miller, que mudou a indústria de quadrinhos e foi responsável por ter feito os anti-heróis se tornarem um sucesso nos anos 80 e 90. Lançado em formato prestige ( a primeira foi Ronin do próprio Miller) com melhor qualidade de papel e impressão, mostrou que o formato podia render lucros para as editoras. Nesta minissérie, Frank Miller estava no auge de seus desenhos, em uma narrativa cinematográfica, quebradas por truques, como formato dos quadros como tela de TV, copiados a exaustão pelos diversos imitadores do desenhista. Mas o grande trunfo foi a DC dar a Miller carta branca, onde ele escreveu uma trama densa e cheio de críticas políticas. Na história Batman de 55 anos estava aposentado a dez anos após a morte do segundo Robin, Jason Todd, e retorna a luta contra o crime, mais violento e disposto a qualquer coisa para estabelecer a ordem em Gotham novamente, mesmo que para isso tenha que enfrentar o governo e o seu antigo aliado, Superman. Para muitos essa foi a história que definiu a verdadeira personalidade do herói.

O Cavaleiro das Trevas foi um marco que mudou a indústria dos Quadrinhos

Enquanto isso, nas revistas de linha, a DC estava reformulando o seu universo, com Crises nas Infinitas Terras (sempre ela), simplificando o complicado multiverso. Nesta série, ao final, ficou estabelecido que não existia mais outros universos, apenas um e vários heróis estavam sofrendo reboot. Enquanto Superman ficava menos poderoso e mais humano pela mente criativa de John Byrne, a Mulher Maravilha estava nas mãos de George Pérez. E graças ao sucesso de O Cavaleiro das Trevas, o responsável pela reformulação do Batman só poderia ser Frank Miller. Miller foi chamado para escrever um arco de 4 edições sobre a origem do Batman, sendo que David Mazzucchelli foi escaldo para os desenhos, repetindo a parceria de sucesso que na Marvel fez o aclamado arco do Demolidor Born Again, no Brasil, A Queda de Murdock. Em 1987 foi lançado o Batman 404, a primeira historia do Arco Batman: Ano Um. Com atmosfera Noir nos desenhos e roteiro policial, a série mostrava o retorno de Bruce depois de anos se preparando para enfrentar o crime, seus erros de principiante, quando decide vestir a roupa de morcego, para aterrorizar os criminosos, a saga do tenente Gordon, único policial honesto em uma cidade que a policia é corrupta e apresenta a Mulher Gato. O sucesso foi imediato.

Batman Ano Um foi a origem definitiva do Morcego. Com desenhos maravilhosos de Mazzucchilli

Depois que abandonou os Renegados, Batman não participou mais de nenhuma equipe, até a maxissérie Lendas. Após a saga, foi criado a nova Liga da Justiça, que deveria ter os heróis de primeira linha da editora, mas problemas editoriais fizeram a ideia naufragar e somente Batman era do primeiro escalão. Os outros membros eram praticamente quase desconhecidos, como Caçador de Marte, Canário Negro, entre outros. Lógico que o Batman era o líder. Em 1987, estreava a revista Liga da Justiça da América, com uma pegada mais de comédia, o que irritou os fãs do morcego, mas após a estreia, perceberam que Batman era o contra ponto, sendo o único sério da revista. A revista da Liga se tornou um sucesso e não há como negar que foi a fase mais prolífera daquela época. Realmente, só de lembrar das histórias, eu ainda tenho vontade de rir.

A Liga da Justiça de Keith Giffen e J.M DeMatteis é comédia pura, uma das melhores revistas dos anos 80. Essa fase é conhecida como bwaha-ha-ha

De volta a sua revista, Batman tinha um grande problema. E era Jason Todd. O personagem nunca foi bem aceito pelos leitores, pois ao transformar o novo Robin em um garoto arrogante e violento, a DC acabou dando um tiro no próprio pé. Então O’Neil, agora editor, teve uma sacada de marketing e deixou o destino na mão dos leitores. Na história escrita por Jim Starlin e desenhada por Jim Aparo, o arco Morte em Família saiu em Batman 426, de 1988 e terminou com uma explosão na edição 427. Jason Todd vai atrás de sua mãe que acreditava estar morta e acaba espancado pelo Curinga com um pé de cabra. A edição 427 terminava com a explosão mencionada acima e um número de telefone os leitores decidirem se ele morria ou sobreviveria. Por uma pequena diferença de 72 votos, o segundo Robin morria. Nas histórias posteriores, Batman entra em uma onda de violência e é ajudado a sair disso pelo Superman, Dick Grayson e Tim Drake, que se tornaria o terceiro Robin.

A morte de Jason Todd foi um teste de sua baixa popularidade

Em 1989 é lançado Batman- O Filme, superprodução dirigida por Tim Burton, Com Michael Keaton (Batman), Kim Bassinger (Vicki Vale) e Jack Nicholson (Curinga). O filme foi lançado neste ano para comemorar os 50 anos do Batman e ainda teve Bob Kane como consultor. O filme foi um sucesso arrasador, ganhou milhões e ainda criou o fenômeno da segunda batmania. Mesmo assim houve críticas que o filme era sombrio e Michael Keaton não tinha o porte atlético do personagem. Quem saiu de lá muito bem foi Nicholson, que para ser o Curinga, um papel que o consagrou e fez o vilão um dos melhores do cinema, ganhou um percentual da bilheteria.

A primeira super-produção do Batman para o cinema. Sucesso de público e crítica e lançou a segunda batmania

Com o sucesso do filme, a DC não podia perder tempo em capitalizar sobre seu personagem mais famoso, e várias revistas e especiais foram sendo feitos durante os anos. Um dos melhores trabalhos foi a série Legends, que avançou sobre os anos 90 com qualidade bem superior a outras que estavam sendo feitas apenas como caça-niqueis. Uma dessas foi o primeiro ElseWorld, Gotham 1889, em que Batman está caçando Jack, o Estripador em uma Gotham vitoriana. Batman também teve uma experimentação com uma revista que era toda feita por computador, uma Graphic Novel, lançado em 1990.

Em 1889 o Batman caçava Jack, O Estripador. Várias versões do Morcego apareceram nos anos 90.

Em agosto de 1989, Tim Drake foi apresentado ao leitores. O personagem se consagrou nos anos 90 e diferente de Todd, tinha uma legião de fãs. Tim era o terceiro Robin, inteligente e perito em informática, tinha uma personalidade mais ponderada e o único que não tinha um passado trágico. Descobriu sozinho que Bruce era o Batman e entrou para a dupla com méritos próprios. Antes de ser oficializado como Robin, treinou com Dick Grayson. Somente se torna o Robin em 1990, em Batman 487. Mas como os roteiristas gostam de um apelo dramático, sua mãe morre entre o Detective Comics 618 a 621.

Com Tim Drake o traje de Robin é atualizado e passa a usar calças e cores vermelhas

Os anos 90 foram os anos em que Batman adentrou em quinta marcha na série Túnel do Tempo (ElseWorld). Nestas séries onde tinha versões alternativas dos personagens, Batman foi pirata, vampiro, lanterna verde e até Morcego de Aço, com os poderes do Superman. Também foi uma década de crossover com outras editoras, como o encontro com Homem-Aranha, Hellboy, Juiz Dreed, Predador, etc.

Batman e Homem-Aranha, um dos vários crossover do Morcego

Anos 90 – Filmes fracassam no cinema e Batman se reinventa

Em 1992 estreava na TV Batman – Animated Series, série animada do Batman, produzida por Bruce Timm e Eric Radomski para a Warner. A cultuada série é uma obra-prima da TV, considerada como a versão definitiva do Homem Morcego. A série teve até Mark Hammil, o eterno Luke Skywalker fazendo a voz do Curinga. A série foi o embrião de todas as séries que seriam feitas depois pela Warner. Já no Cinema, as coisas começavam a ruir, com os filmes Batman Eternamente e Batman e Robin. Batman o Retorno, que ainda tinha Tim Burton como diretor e Michael Keaton como Batman, trazia Michele Pffeifer como Mulher Gato e Danny De Vito como o Pinguim, embora com suas falhas ainda matinha o interesse no filme. Já os dois citados acima, foram tão ruins que afundaram de vez a franquia e passou alguns anos até sair novamente no cinema.

Batman – A Série Animada- Sucesso como a versão definitiva do herói.

Entre 1993 a 1995 houve um arco nas revistas do Batman e da Bat-familia chamada a Queda do Morcego. Na história Bane liberta todos os detentos do Asilo Arkham fazendo Batman não ter um minuto de descanso, desse jeito, ao enfrentar o morcego na sua própria batcaverna totalmente esgotado física e psicologicamente, Bane o derrota em uma luta, e quebra sua coluna. Depois disso, Bruce Wayne vai atrás de uma cura em uma longa jornada, deixando Jean-Paul Valley, o instável Azrael como seu substituto. Valley se torna um Batman mais violento e usa uma armadura e até derrota Bane, quase o matando. Embora não o tenha matado, chegou a matar um criminoso e foi a deixa para Bruce curado derrotar Valley e voltar a usar o manto. Em 1994 houve uma arco onde Dick assume o manto do Batman e faz a dupla dinâmica com Tim, algo que fez os fãs vibrarem, antes do retorno definitivo de Wayne. A historia aproveitou a oportunidade para discutir a relação de pai e filho com seu ex-pupilo.

Bane quebra a coluna do Batman na saga Queda do Morcego

A partir de 1996, as histórias do Batman começaram a tomar um rumo diferente, em vez de Batman enfrentando os vilões, dessa vez ele tinha que enfrentar desastres e suas consequências. Antes da Torres Gêmeas serem destruídas no 11 de setembro, cinco anos antes a paranoia já chegava em Gotham, quando um vírus mortal contaminou a cidade, matando milhares de cidadães. Até Robin foi contaminado, sendo salvo na última hora. E por trás desse ataque e outros depois, estava Ra’s Al Ghul. Como ele quer salvar a cidade, para ele, antes precisa matar metade da população para conseguir manter a cidade sustentável.

Ra’s quase conseguiu eliminar Robin com um vírus mortal

Meses depois, o pior ainda estava por vir. Nos arcos Terremoto e Terra de Ninguém, um terremoto de 7,5 graus devasta a cidade e o governo declara que Gotham não faz mais parte dos EUA e a decreta Terra de Ninguém. Batman tem que chamar aliados e fazer acordo com antigos inimigos para manter a ordem em alguns territórios. É Lex Luthor, junto com Bruce Wayne que se tornam responsáveis para resgatar a cidade, que afunda em uma crise pós-terremoto, com acordos políticos no congresso para reintegrar Gotham City ao país.

Gotham City é destruída por um terremoto e abandonada pelo governo.

Anos 2000 – Batman tem histórias mais complexas e surpreendentes

Em 2002, Greg Rucka era o escritor das revistas do Batman e foi responsável por dois arcos muito cultuados na sua passagem. Os arcos, Bruce Wayne: Assassino e Bruce Wayne: Fugitivo teve extensão em todas as linhas do morcego neste ano. O mundo de Bruce e do Batman entram em colapso quando sua noiva Vesper Fairchild é encontrada assassinada em sua mansão. Wayne e sua guarda-costas, Sasha Bordeaux são detidos como suspeitos. Quando Wayne perde a confiança que Asa Noturna não conseguirá encontrar o assassino a tempo, ele foge da prisão. Rucka, fã do morcego e especialista em histórias policiais, dá um tom mais maduro ao universo do Homem Morcego e mais importante que encontrar o assassino e seus motivos, uma vingança de Lex Luthor, foi o herói perceber que Bruce Wayne é uma parte importante em sua vida, fazendo-o humano. Rucka, em 2003 também foi responsável pela série Gotham City contra o Crime. Em parceria no roteiro com Ed Brubaker, tendo Michael Lark como desenhista, esta série conta a história da equipe de policia de Gotham que se envolve com crimes que estão fora da atenção do Batman. Com uma trama com apelo violento e psicológico, a série recebeu vários prêmios importantes dos quadrinhos, como o Eisner, Harvey e Eagles. Quando Brubaker e Lark decidiram sair da série, Rucka finalizou-a.

Série premiada tinha participação quase nula do Homem Morcego

Ainda em 2002, dois dos mais importantes e melhores artistas da atualidade se juntaram para contar uma das melhores histórias do Batman de muitos anos. Jim Lee (desenhos) e Joph Leob (roteiro) produziram entre 2002 e 2003, a saga Silêncio, que um criminoso com o rosto enfaixado manipula toda a galeria de vilões do Batman para atacá-lo de diversas formas. No fim, descobrimos que o vilão era alguém de seu passado que queria destruir tanto sua vida como Batman, quanto como Bruce Wayne. O sucesso foi enorme e as revistas foram para o topo das vendas, o que não acontecia a muito tempo.

A saga Silêncio foi um sucesso absoluto, com o ótimo roteiro de Loeb e os desenhos impressionantes de Jim Lee

Nesta época um personagem voltava dos mortos, afinal, nos quadrinhos ninguém fica morto para sempre. Jason Todd, o segundo Robin, retorna após os eventos de Crise Infinita (sempre uma crise) como o Capuz Vermelho, alcunha já usada pelo Curinga antes de se tornar o Palhaço Assassino do crime. O problema era que Jason queria tomar o lugar de Batman e dar o que os criminosos mereciam, segundo ele, a morte. Após um confronto com o Batman, que trouxe à tona antigos traumas, ele vaga pelo Universo DC sem saber se é um herói ou um vigilante violento.

Jason Todd ressuscita e assume a identidade de Capuz Vermelho. Herói ou vilão?

Em janeiro de 2003 a Warner Bros contratou o diretor Christopher Nolan para dirigir o novo filme de Batman, que estava na geladeira deste o fracasso de Batman e Robin, em 1997. Dois meses depois, David S. Goyer foi contratado para escrever o roteiro. Nolan queria que Batman fosse muito realista, por isso, neste novo universo do filme, não existia super-heróis. A inspiração para o diretor foi Superman – O Filme, de 1978, pois focava em mostra o desenvolvimento do personagem. E assim como Superman, ele queria um elenco coadjuvante de estrelas. Nolan e Goyer usaram várias inspirações para contar a história do início de carreira do Batman sendo elas O longo Dias das Bruxas e sua continuação Batman: Vitória Sombria e Batman: Ano Um. Christian Bale foi escolhido para o papel de Batman e o filme conseguiu críticas bem positivas. O filme mais realista que qualquer outros filmes do Batman, arrecadou mais de US$ 411 milhões e colocou novamente o Homem Morcego no topo dos super-heróis.

O reinício do Batman no cinema foi sucesso e colocou o personagem em um mundo mais pé no chão

Em 2006, o roteirista James Robinson e os desenhistas Don Kramer e Leonard Kirk entregaram umas das melhores histórias do Batman. Nas edições de Batman 651 e 654 e Detective Comics 817 a 820, a equipe colocou o universo do morcego novamente nos eixos. Nesta história, depois de Crise Infinita, Bruce Wayne retorna de uma longa jornada a Gotham, e descobre que Harvey Dent, o Duas-Caras esta regenerado e colocou a cidade de volta aos eixos, mantendo a ordem e a justiça. Esta história, além de devolver os personagens aos seus status quo, como Gordon voltando a ser Comissário e os vilões de Gotham sendo os piores do universo DC, fez Bruce Wayne adotar legalmente Tim Drake, o terceiro Robin, mostrando que o Batman estava sendo humanizado nesta fase.

Duas-Caras regenerado? Nunca é o que parece.

Ainda em 2006, Grant Morrison abalou o mundo de Batman quando ele apresentou o filho do morcego em Batman 655 a 658. Em uma história de 1987 que foi considerada fora da cronologia do herói (o especial O Filho do Demônio), Batman e Thaia tinha uma noite de amor e sem conhecimento de Batman, ela engravida e dá a criança para a adoção. Mas Morrison recebeu carta branca e ressuscitou a história do filho. Neste arco, Thalia apresenta seu filho para o Batman e após reviravoltas, ele acaba se tornando parceiro do pai nesta aventura. Mas o garoto é um assassino mirim, sem se importar com ninguém e quase mata o Robin.

Batman sofre para conter o ímpeto assassino do filho

Morrison segue com histórias complexas e cheias de pistas e metalinguagem. Após apresentar o filho do Batman, Damian Wayne, que deseja ser o novo Robin, Morrison escreveu uma história que Batman quase foi a loucura ao se envolver e apaixonar por Jazebel Jet, uma agente de uma organização chamada Luva Negra, que estava perseguindo o Batman. No arco Descanse em Paz (R.I.P), Batman vence a batalha mais é dado como morto em um acidente de helicóptero. Mas, lógico que Morrison mostrava que o herói estava vivo, só para morrer de novo em Crise Final, em uma batalha contra Darkseid.

Enfrentando o Darkseid na mão? Bom, já que enfrenta até o Superman…

Com sua morte, Dick Grayson se torna o novo Homem Morcego e passa a ser responsável por deixar Damian na linha. A revista Batman e Robin, de Grant Morrison e Frank Quitely, que mostrava as aventuras de Grayson e Damian foi um enorme sucesso da DC na época. Mas como a DC acabou copiando a Marvel e fez que o Batman não tivesse morrido, mas como o Capitão América que também não morreu e estava perdido no tempo, Wayne retorna. Mas durante um tempo, Grayson ainda era o Batman, então nesse período, tinham dois Batmen no Universo DC. Então, Wayne anuncia ao mundo todo que ele é o financiador do Batman e lança a Batman Inc. iniciativa que visa financiar vigilantes pelo mundo. Outro enorme sucesso de Morrison, que acabou bruscamente em 2011, por causa do novo reboot da DC, Os Novos 52.

Batman e Robin foi um grande sucesso, com Grayson como o Homem Morcego e Damian como Robin. Acima, Bruce Wayne volta da “morte”

Os novos 52 foi uma tentativa (mais uma) de zerar a cronologia do universo DC para facilitar a entrada de novos leitores. No caso do Batman, quase nada foi mudado, pois era o personagem que mais vendia e não tinha motivo de mudar. Mas Morrison acabou abandonado o Batman para ir para a revista do Superman.

Em 2008 chegava aos cinemas a película que foi considerada o filme definitivo do Homem Morcego, a sequência de Batman Begins, Batman O Cavaleiro das Trevas. Novamente dirigido e co-escrito por Christopher Nolan e repetindo o papel do Cruzado de Capa, Christian Bale, o filme foi um sucesso sem precedentes, que ultrapassou a marca de 1 bilhão de dólares e ainda ganhou um Oscar póstumo para Heath Ledger, que morreu pouco depois do filme estrear. Ele foi o melhor Coringa, ofuscando até mesmo o Coringa de Jack Nicholson. Um filme eletrizante, com uma história muto bem amarrada, foi considerado o melhor filme de super-herói, deste Superman – O filme.

O Cavaleiro das Trevas é um filme espetacular que o Coringa rouba a cena

Em 2012 a nova sequência fechava a trilogia de Nolan, o Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. O novo filme arrecadou mais de um bilhão também e encerrou a carreira do Batman neste universo, ao mesmo tempo que Nolan se despedia dele. Embora não tão bom quanto o segundo, o filme não decepcionou e teve boas críticas. E graças a trilogia do Batman, Superman teria uma chance de voltar ao cinema, em 2013, tendo Nolan como produtor.

Homem de Aço. Graças ao sucesso da Trilogia de Batman de Nolan, a Warner Bros chamou o diretor novamente, dessa vez para produzir o filme do Superman

Entre 2011 e 2012 a dupla Scott Snyder e Greg Capullo foi a mais importante desse período, pois colocou Batman contra novos oponentes, em uma trama cheia de mistérios e segredos, além de muita ação, explorou a ligação de Bruce Wayne com Gotham City. Foi no arco A Corte das Corujas, em Batman 1 a 12, de 2011 e 2012, que apresenta a organização secreta que age na cidade deste sempre e são oponentes extraordinários, tendo o seu agente principal o Garra, que se equipara ao Batman. Mas seria a relação entre Batman e Coringa que foi o maior desenvolvimento de Snyder e Capullo. No arco Morte de Família em Batman 13 a 17, de 2012 a 2013, o Coringa se propõe a matar todos os amigos do morcego, pois considera que ele fica muito molenga por culpa deles. Nesta época o Coringa chegou a ficar mais sinistro que o antes, pedindo a um criminoso para tirar seu rosto e o usa como máscara. Se ele queria continuar usando, para que tirou?

Batman teve que enfrentar novos desafios e quase morreu

Em Ano Zero, em Batman 21 a 33, de 2013 e 2014, a dupla reimagina o inicio da rivalidade do Batman com o Coringa, quando ele ainda era o Capuz Vermelho, antes do vilão de cair nos produtos químicos que o deixaram com a aparência atual. Em Fim do Jogo ( Batman 35 a 42, de 2014 e 2015), os oponentes tem o embate final. Nesta saga, ambos são dados como mortos e o Comissário Gordon toma o lugar do Batman usando uma armadura. Mas Wayne volta sem memória e depois retorna ao manto do morcego. Uma das poucas mudanças que Batman sofreu nos Novos 52 é que ele era o mais experiente herói antes do termo super-heróis aparecer. Ele era considerado uma lenda urbana até aparecer a Liga da Justiça.

James Gordon agora é o Batman com armadura de mangá

Em 2016 a DC, ao perceber que os novos 52 não estava mais fazendo sucesso e que os fãs não gostaram de como as coisas tinham ficado, decidiu retornar o Universo DC pós-Crise e começou a saga Renascimento, onde devolveu o Superman pós-Crise ao posto de herói do universo DC, em substituição ao Superman dos Novos 52 que era mais jovem e cabeça-quente. As implicações do Renascimento foram o Batman ter sentado na cadeira cósmica de Metron e ao querer saber quem era o Coringa de verdade, descobre que existem 3 Coringas (Justice League 42).

Renascimento trás o Universo DC pós-Crise de volta

Também em 2016 Batman voltaria ao cinema, embora não em um filme-solo, mas junto ao Superman Henry Cavill em Batman vs Superman – Origem da Justiça. Após Homem de Aço de 2013, a Warner Bros, vendo o sucesso da Marvel com seu universo compartilhado, queria fazer um filme igual aos Vingadores de 2012 e fez esse filme para iniciar a Liga da Justiça. Para o papel de Batman foi escolhido Ben Affleck e a internet explodiu, querendo ele fora do filme. Por causa de seu papel de Demolidor, no filme homônimo da Fox, que foi muito criticado, os fãs acharam que ele poderia estragar o personagem no cinema. Mas quando o viram vestido de Batman nas fotos de divulgação, os fãs começaram a aceitá-lo melhor. Quando o filme estreou, houve muitas crísticas ao filme e ao diretor Zack Snyder, mas Affleck foi muito elogiado e seu Batman fez muito sucesso. Ele repetiria o papel no filme Liga da Justiça em 2017, novamente sendo bem elogiado, mas o filme foi massacrado pelo público e pela crítica, que enterrou uma continuação indefinidamente. Por causa de problemas pessoais, Affleck abandonou o manto e agora não será o Batman no filme de Matt Reeves.

Batman de Ben Affleck incorporou o vigilante de Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller

Em 2017 Batman está participando da saga Doomsday Clock (Relógio do Apocalipse) em que foi descoberto que o Dr Manhattan é o responsável pelos universo dos Novos 52, como disse o Flash, Wally West, ele roubou 10 anos dos universo. Agora Batman se junta aos outros heróis para enfrentar o invencível Manhattan. Enquanto a série de 12 partes está em sua décima edição, não sabemos que caminho Batman vai seguir. Mas uma coisa é certa, as coisas não serão mais as mesmas para o Cruzado de Capa.

Dr. Manhattan veio do universo dos Wathcmen. Ele é responsável pelo novo reboot do Universo DC

Batman está a 80 anos no divertindo, impressionando e ensinando a gerações sobre a natureza humana. De todos os heróis, o morcego é o mais humano, não tem poderes, mas tem mais força de vontade e desejo de ultrapassar todos os obstáculos que for colocado em seu caminho. Um personagem que é e sempre será importante para os fãs e para a indústria.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.