kissforkidsDomingo foi dia de Rock, Bebê… principalmente para nós!! Os Geeksonz tiveram o grande prazer de assistir ao espetáculo Kiss For Kids realizado no Teatro Net Rio com a banda Kiss Cover Brasil, no último dia 02 de junho.

O pré-show já é algo muito próprio. Ao adentrar o hall do Teatro logo se percebe um forte movimento de empolgadas crianças num “posto avançado” de maquiagem onde uma equipe reproduz no rosto das crianças as maquiagens dos quatro músicos; um pouco mais afastado encontramos o stand de vendas que comercializa camisas, livros de colorir, bolas e afins com o tema do Kiss ou do Rock For Kids, além de trazer brinquedos como bolinhas de sabão, slimes e miniaturas de heróis kisscover4para as crianças e também trazer para o público adulto, livros do autor Felipe Mendes, ou seja uma ode à cultura.

Já na parte de dentro do Teatro, propriamente dito, o mestre de cerimônias,  Sargento Pimenta, interpretado pelo ator Marcelo Masso, surge no palco e dá início a apresentação do show de forma muito empolgante, contando uma breve história do rock e fazendo algumas brincadeiras para animar mais ainda a criançada enquanto a banda começa a fazer barulho!

A apresentação no palco foi impecável. Os músicos Felipe Simmons como Gene Simmons (baixo e vocal), Luigi Piovesan como Paul Stanley (guitarra base e vocal), kisscover2Guilherme  Arce como Ace Frehley (guitarra solo) e Uciel Fox como o saudoso Eric Carr (bateria e voz) fizeram um rock and roll de alto nível. A banda é um Cover do Kiss de primeira linha, não só pelo figurino e instrumentos idênticos aos originais (com direito às famosas botas plataforma), mas na presença de palco e performance dos artistas perfeitamente representando cada um dos membros da banda. 

O show é eletrizante e muito dinâmico, agitando crianças e adultos; a sonzeira do Kiss, na verdade empolgava até alguns pais mais que os filhinhos… mas é compreensível, aquela geração curtiu o rock in natura. As crianças estavam vidradas com a aparência dos músicos, toda aquela maquiagem característica do Kiss e todo o apelo visual, luzes e som em palco que formavam um conjunto muito interessante e agradável.

Entre as músicas, o Sargento com seu bordão “Sim, Senhor!” e a ajuda de uma outra sgtpimentaemissorckpersonagem interessante, a Miss Rock, realizava brincadeiras com as crianças, perguntando coisas sobre a banda Kiss e, em um momento, seleciona alguns baixinhos a subir no palco e improvisarem uma air guitar… tudo valendo prêmios como bolas, palhetas de guitarra, e outras lembranças roqueiras entregues com muita alegria pela Miss Rock. Uma diversão garantida para a garotada.

O impressionante é como as crianças se entregavam, pulando, cantando e brincando ao som do rock and roll a tarde inteira e querendo aquela festa todos os dias.

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Tivemos também a oportunidade de conversar com o idealizador e produtor do For Kids e líder do Kiss Cover Brasil, Felipe Simmons e seu parceiro Luigi Piovesan. Fomos recebidos no camarim de uma forma muito calorosa em um ambiente descontraído… onde eles nos contaram um pouco sobre o projeto e falaram um pouco sobre o cenário do rock nacional.

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Como surgiu o Rock For Kids? A banda já existia e a gente fazia várias festas de aniversário de crianças (como por exemplo a do filho do João Gordo, do filho do Raí), era uma coisa recorrente. Em 2015, eu já tava querendo fazer alguma coisa diferente com a banda toda, pra sairmos da mesmice. Então lançamos o show Unplugged, que já era um show em teatro outro formato e que deu bastante certo, mas ainda não tinha o público que esperávamos para ser bom. Porém, eu havia tido um episódio de princípio de infarto, quase morri e logo em seguida, torci o ligamento do pé e fiquei um bom tempo sem poder fazer shows maiores. Então eu tive o tempo que precisava pra sentar e pensar na vida. Um dia tava na internet e vi algo do gênero “mãe desesperada procura” que era a história de uma mãe que tinha adotado 2 meninos de 6 e 9 anos e ela tinha contratado uma banda e eles furaram com ela. Putz, que merda isso acontecer. Eu tava sem data no dia inclusive, mas mandei uma mensagem pra ela, dizendo que poderia fazer a festa dela só que o problema era que eu estava com o pé arrebentado, de muleta e me propus a fazer o Kiss, pois a banda favorita deles era o Kiss pelo mesmo valor, eu iria tocar violão e iria de muleta. Ela topou. Um dia antes encontrei com ela pra acertar os detalhes da festa e a gente acabou se dando bem. No outro dia teve a festa, eu toquei para os meninos e nesse dia a gente já ficou, já saímos e acabamos namorando. Foi amor ao primeiro show. Os meninos tinham sido adotados só por ela como mãe solteira, e eu acabei assumindo essa parte depois de alguns meses, quando fui lá e também pedi a guarda deles pra mim. Nisso, eu descobri que eu queria fazer algo diferenciado para as crianças até porque eu tinha filhos agora, foi quando eu mandei todos os projetos pra ela analisar, e o que ela achou mais legal foi o projeto para crianças. Então pegamos todo o dinheiro que eu tinha, todo o dinheiro dela e investimos no For Kids, cheguei no Teatro do Nelson, no MC, e disse que queria a data de 12 de outubro. Só que eu não tinha nada escrito. Depois de confirmar a data eu montei a sinopse em julho, agosto aproximadamente, e em setembro já estava com as duas sessões esgotadas. Aí eu sentei fiz o primeiro roteiro do Kiss For Kids que foi o primeiro do projeto Rock For Kids. Depois disso fomos testando as outras bandas em pubs, fizemos o primeiro festival, o segundo festival e aí chegou a hoje. Posso dizer que quando conheci minha família nasceu o Rock For Kids, então costumo dizer que ele também é parte da família e o resto é história. 

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Qual a parte difícil de se promover um espetáculo desses, em nível nacional?Quando lançamos o For Kids nós éramos apenas um. Agora existem infinitas cópias do For Kids que cobram metade do valor da gente e em compensação não apresentam um espetáculo com nem metade da nossa produção. Como vou trazer uma equipe toda de São Paulo pra cá com um valor desses? Além disso, ainda preciso pagar a casa que disponibiliza o pessoal dela pra nos atender. É um gasto muito alto, e pra se começar a ter lucro precisa ter pelo menos metade da casa vendida.

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Qual foi a maior surpresa de vocês nas viagens com o projeto? O Nordeste consome muito o rock and roll, muito mais que o sudeste e afins. Quando a gente foi pra Bahia ano passado foi algo impressionante! A quantidade de crianças que já conheciam as músicas ou então aqueles que passaram a conhecer, e depois os pais mandaram vídeos do filho cantando as músicas. Eu acho que o que faz a diferença hoje é que a criança sai do show pode chegar no Youtube e colocar lá Kiss, e vai vir tudo do Kiss. Vai aprender a gostar e perpetuar. Isso é algo que vai marcar elas e depois de algum tempo elas vão alimentar isso pra próxima geração. A criança tem que ser valorizada mesmo, tem que receber cultura de qualidade.

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Uma coisa que percebemos, é a presença constante no evento de Instituições, ONGs ou pessoas que realizem trabalho social de apoio ou acolhimento às crianças. O projeto também flerta com esse aspecto social? Sim. Nada mais justo do que num evento voltado para crianças, termos… crianças. Então, sempre dedicamos 10% da carga de ingressos à alguma instituição ou afins para que levem as crianças para assistirem o show, se divertirem e ainda poderem ser brindadas com um pouco de cultura.

O Projeto Rock For Kids abrange muitas bandas em suas apresentações. Beatles, Guns N´Roses, Aerosmith, AC/DC e outros. Qual a melhor banda pra se trabalhar no Projeto For Kids? O Kiss é o que mais dá certo no Rock for Kids. Porque a criança não consome só a música, ela consome também o visual. E nada melhor pra se introduzir a criança no rock que o Kiss, que é a banda com o visual mais forte. Aí uma meia dúzia fala que as crianças vão ter medo… medo nada elas gostam… curtem, se amarram. Ai quando verem a Momo no youtube elas vão é rir da cara dela.

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Já vimos nas mídias sociais da banda e do projeto For Kids o Projeto das Princesas do Rock. Poderia nos falar mais sobre o projeto? É mais um projeto destinado às crianças, mas dessa vez mais para o público feminino. É uma viagem ao mundo dos Contos de Fadas embalo por clássicos do Rock n roll. Em um reino não tão distante, Lady Heavy Metal e Conde de Hard Rock, embarcam em uma jornada pelos Contos de Fadas para encontrar 3 integrantes especiais e formar a maior banda de Rock de todos os reinos. Porém, a força do Rock desperta a fúria do grande vilão, Mago Villar, o detentor da música ruim. As Princesas do Rock for Kids surgiram para mostrar que toda menina pode ser Princesa, pode ser roqueira, pode ser o que quiser. É um espetáculo para toda a família. O Princesas do Rock estreará nos palcos cariocas nos dias 26 e 27 de outubro em Bangu e aqui em Copacabana, no Teatro Net Rio, respectivamente.

Como é lidar com a questão de personagens como as Princesas? O grande problema do Princesas é justamente que algumas não estão no domínio público e existe uma coisa chamada Disney, que se ainda não é dona de algo, ela ainda vai comprar. Então esbarramos em algumas questões de direitos autorais e temos que ter muito cuidado no que usamos, algumas princesas como a Moana e a Merida que são as mais heavy metal não podemos usar. Em compensação temos a Malévola que por exemplo, naquele estilo interpretado pela Angelina Jolie é da Disney, mas a personagem em si é domínio público; a Ariel que é Disney mas já entrou em domínio público, tal como a Branca de Neve já aparecem no show. Atualmente até o Dumbo já está em domínio público.  Essa atual leva de live-action da Disney hoje nada mais é pra renovar o seu domínio em cima daquilo.

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O que vocês acham do Rock brasileiro? Ele morreu? Existe uma coisa muito assustadora sobre o rock no Brasil, não tem mais rock nacional. Existe banda de guitarra que não é rock. A última banda que podemos considerar rock que estourou no mainstream foi o NXZero, que pelo menos no começo tinha pegada e estrutura de rock com duas guitarras, baixo, bateria e era meio puxado pro hardcore. Só que o rock em si é algo muito mais abrangente. Todo sertanejo hoje, tá vestido como? Casaco de couro, óculos escuro… Quem tá tocando na banda do sertanejo, do axé e do forró? Instrumentistas de rock and roll. Existem dois complicadores, primeiro é de que a mídia se aproveita do que está aparecendo e a outra é que roqueiro é tudo cuzão.  Você vê um Titãs feat Paralamas do Sucesso? Já viu as bandas se unirem pra fazer alguma coisa? A Anitta, por exemplo, lançou um cd com 8 faixas e todas com participação de outros artistas. Ela faz parcerias incríveis. Os roqueiros não se juntam. Falta união e é uma coisa nacional mesmo. Por exemplo, a turma que tem som autoral não se junta com a turma que faz cover, é um querendo comer o outro dizendo que um vai tirar o espaço do outro. Se você observar o auge do rock nacional que foi nos anos 80, as bandas e juntavam para fazer caravanas, tour conjuntas. E esse é o principal problema do Brasil, a desunião.

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A banda, Sargento Pimenta e Miss Rock: a interação perfeita entre palco e platéia empolgando a todos os presentes

Vocês falaram que o “principal” problema é a desunião. Quais seriam outros exemplos? Depois da virada do ano, em que se teve uma marginalização da cultura e que as pessoas estão muito piores em termos de grana, ninguém quer investir em cultura nem ir em um espetáculo teatral porque foi colocado que cultura é uma coisa ruim. O Presidente não é muito à favor de cultura. E outra coisa que atrapalha o rock é o lance da praticidade em relação aos outros estilos, principalmente na mídia televisiva. Por exemplo, um cara vai na Fátima Bernardes, vai só o cantor, ele já tem a banda do programa ou vai um funkeiro, é só colocar um pendrive lá com a batida pré-gravada. Já uma banda de rock, quando vai fazer um evento tem que montar tudo, passar o som, dá um baita trabalho, é uma equalização mais difícil de se trabalhar. Você acha que os caras querem ter trabalho? Mais fácil chamarem um sertanejo de repente, com um violãozinho, ou um cara com um pendrive.

Felipe e Luigi (ou deveríamos chamá-los Gene e Paul?), gostaríamos de agradecê-los por nos dedicarem essa atenção especial. O Rock for Kids, na versão Kiss, é uma excelente iniciativa para fazer as novas gerações conhecer um pouco do bom e velho rock and roll e fugir dos “hits” do momento. Bom, só podemos tecer elogios ao que assistimos. Palavras não serão suficientes para traduzir o show. Resta aos Geeksonz indicar, para todas as idades, que assistam ao espetáculo pois não vão se arrepender. Salve a criançada e salve o Rock and Roll. 

É Rock na veia, na alma e no coração!

geekiss

* colaborou com a matéria Kadu Simmons, membro dos Geeksonz, adepto do KISSianismo e fã do projeto Kiss for Kids e que faz questão de levar sempre sua filha e esposa para esse grande espetáculo de entretenimento musical para a família.

 

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