Para começar, MIB: Internacional é um bom filme. Mas não é bom como os outros filmes da franquia. E os motivos são Will Smith e Barry Sonnenfeld. Na verdade a falta deles.

Mas vamos falar de MIB de 2019. A Sony perdeu seus principais astros e então chegou a pensar até mesmo em um crossover entre o MIB e Anjos da Lei, o que não vingou mesmo. Mas não querendo abrir mão da franquia de sucesso, aumentou o escopo da ação dos Homens de Preto e passou ter divisões pelo mundo. A ideia era bem interessante, pois poderia dar uma revitalizada na cinessérie, mas a execução não foi tão boa. Com a direção de Gary Gray, um bom diretor, mas sem o brilhantismo de Sonnenfeld, que teve grande sacada de fazer o filme uma comédia de ação, com ótimas tiradas e atenção aos detalhas. Gray fez mais um filme de ação, com bastante comédia, mas não conseguiu achar um equilíbrio para isso.

A química dos astros até funciona, mas o roteiro não ajuda

E mesmo com uma boa química entre Chris Hemsworth e Tessa Thomposon, a dupla de Thor Ragnorack, não há como negar que Will Smith faz falta. Smith era o astro da franquia, o que fez o filme ter tanta personalidade. Acredito que sem ele, o primeiro MIB não teria sido o sucesso que foi. E Sonnenfeld sabia disso e deixou sua estrela brilhar. E a impassibilidade de Tommy Lee Jones foi a grande plataforma para Smith, que casou perfeitamente com o relacionamento de mestre-aluno. Era perfeito o carisma de Smith combinando com a seriedade de Jones.

A história de MIB Internacional é forrada de clichês, mas Chris e Tessa até conseguem se desvencilhar de algumas armadilhas, mas não há muito o que o roteiro exija deles. O problema é que é meio arrastado e procura soluções fáceis, ao mesmo tempo que tenta fazer os personagens, principalmente Tessa, mais empoderados. Mas não funciona a contento. As piadas saem mais pelo carisma de Hemsworth que pelo roteiro, que não possui nenhuma tirada inteligente. A ação é boa, na maior parte, mas o problema é quando tenta seguir a história. Elas simplesmente são apressadas e não ajudam a elevar a trama onde deveria.

Cópia dos albinos de Matrix, os gêmeos são vilões descartáveis.

Os alienígenas não são muito criativos em seus design, estão muito genéricos, mais humanoides que nos outros filmes. Na série MIB, a variedade de formas sempre foi de alta qualidade, até no filme mais fraco da franquia MIB 2. Dessa vez, além de fazê-los muito mais humanoides, os poucos que não eram, pareciam demais com o que já foi visto. Aparições dos outros aliens da franquia, como as minhocas viciadas em café e Frank, o cão, dão um ar de que estão ambientados no mesmo universo, mas fazem apenas uma rápida aparição, que poderia ter ajudado mais o filme se estivessem participando da história. Até uma menção aos agentes J e K, como uma homenagem foi feita.

E os vilões, que lembraram bastante dos gêmeos albinos de Matrix Reloaded, não porque eram albinos também, mas por causa de seus poderes. Gêmeos e com poderes que pareciam que se transformavam em fumaça, ou algo assim. Achei bem parecido, embora eles não tenham muito tempo de tela e não avançam em nada na história. Na verdade, se colocasse qualquer outro vilão com outros poderes, não faria muita diferença na história. E nesse caso, muito do filme ficou parecido com o MIB de 1997, até o vilão final. Mas sem a ótima interpretação de Vicent D’Onofrio que fez Edgar um vilão carismático, embora um mostro de dar medo e com tiradas engraçadíssimas, o melhor da franquia, MIB Internacional se perde no terceiro ato. Sem um vilão que faça a história andar, fica difícil se importar o que os heróis irão fazer.

Liam Neeson, bom como sempre

Embora, como já dito, MIB internacional não é um filme ruim, mas o problema de pertencer a uma franquia que começou com Will Smith e teve um apelo fantástico em apresentar um mundo em que ETs vivem na Terra conosco em segredo de uma maneira tão excepcional, já era um tarefa árdua. Mas feito como apenas um filme de ação acabou sendo o grande problema. Os astros e o diretor até que se esforçam para dar uma nova identidade ao filme, para fugir da sombra de Smith e Jones, mas infelizmente fica na tentativa. Se fosse um diretor mais autoral e talentoso, talvez tivesse mais sucesso ao tentar dar uma cara mais atual à série. Mas acabou sendo um filme bom, que diverte até certo ponto, mas é esquecido quando você sai do cinema. E nem precisa do neuralizador para isso.

Terminou de ver MIB Internacional? Agora olha para a luzinha aqui…

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