Em 1995 o primeiro filme animado feito inteiramente em computação gráfica do cinema também foi o primeiro filme da Pixar, que foi tão revolucionário que recebeu prêmios, entrou para a história do cinema e foi eleito um dos filmes mais influentes de todos os tempos. Mas tamanha revolução na parte técnica pode fazer esquecer que o filme foi indicado também ao Oscar de Melhor Roteiro Original. O filme não foi só um primor tecnológico, mas também foi espetacular em contar a emocionante história dos brinquedos que durante 24 anos tem nos emocionado com o mesmo carisma que tinha deste sua estreia.

Deste o primeiro filme o astro da história sempre foi Wood, o caubói, com a voz original de Tom Hanks, que ao perceber que perderia o posto de brinquedo preferido de Andy, a criança dona dos brinquedos, pelo novo boneco de ação do Buzz Lightyear, com a voz de Tim Allen, o ciúme o faz tentar se livrar do boneco. Mas antes, sua consciência o impede, mas foi tarde, pois os eventos acabaram fazendo acontecer de Buzz acabar se perdendo da família na mudança e todos acusam Woody de ser o responsável. Então o filme mostra o caubói tentando recuperar o Buzz e a relação de ambos é de rivalidade e muita confusão para poderem voltar para a família.

Woody e Buzz sempre foram os protagonistas da franquia, mas desta vez eles têm a Beth, que deixou de ser uma coadjuvante sem função para ser a heroína líder da história no quarto filme

Depois de três filmes, onde a amizade entre Buzz e Woody foi crescendo, as histórias sempre foram centradas na amizade, no papel de Woody em proteger seus amigos brinquedos e principalmente na lealdade do caubói com seu dono. Toy Story 3 foi um salto tanto tecnológico, com o design dos personagens ficando muito mais realista, principalmente os humanos, que antes pareciam mais brinquedos do que dos próprios no primeiro filme. O terceiro filme teve a história mais emocionante, mostrando Andy crescido, indo para a faculdade e tendo que abandonar seus brinquedos, seus “amigos” de longa data. Neste filme, que foi inspirado em filmes de fuga de prisão, teve umas das cenas mais emocionantes do cinema, quando os bonecos, em um incinerador, ao pensarem que iriam morrer, dão as mãos, resignados que seria o fim deles, até serem salvos no último minuto. Quando o filme termina, com Andy entregando os brinquedos a uma nova dona, dá um nó na garganta, pois foi excepcionalmente emocionante, nos deixando com aquela sensação de final, que finalmente chegou aquele momento que deixamos nossa infância para trás, quando damos adeus ao nosso velho amigo, aquele que consideremos um irmão. Sinceramente, não lembro de um filme que teve um encerramento tão emocionante e perfeito quanto Toy Story 3.

Garfinho é o personagem mais hilário da franquia.

Quando o quarto filme foi anunciado, admito que fiquei preocupado, pois Toy Story 3 terminou de um jeito perfeito, não teria como fazer algo tão bom. Mas assistindo Toy Story 4, fiquei aliviado, pois o filme conseguiu o que parecia quase impossível. O filme é tão bom quanto o terceiro e muda e muito a dinâmica e leva a história para um caminho totalmente diferente.

Nesta sequência, novamente o filme é do Woody, pois sempre foi o coração e a mola propulsora da franquia. Neste filme, Woody não é o personagem preferido da Bonnie, a garota que Andy doou seus brinquedos no terceiro filme, mas sua lealdade cega o faz se preocupar com ela e a ajudá-la a se adaptar a vida na escola, mesmo sem ela saber. Woody é o responsável pela Bonnie fazer um brinquedo improvisado com um garfo, que acaba virando o garfinho. A partir daí, a aventura começa. E como sempre, a Pixar faz uma verdadeira obra-prima, e não estou falando somente na parte técnica, que salta aos olhos, mas na parte de roteiro. Os personagens antigos estão lá, mas quem sempre brilha é o Woody, mas os novos personagens são um show a parte. O garfinho é hilário e tem uma grande importância na história. Os antigos personagens tem participação bem pequena, mas suas cenas apoiam a história, cada um tem uma função quando aparece. Até Buzz, o eterno amigo de Woody, tem mais cenas, mas são os novos brinquedos que fazem o show andar. Os coelho e pato são hilários e sem noção, o motociclista Kabum é muito engraçado, além de ser traumatizado. Sua história chega a ser hilária, mas também dramática.

O pato e o coelho são destaque no filme, são totalmente sem noção e engraçadas demais

Mas a personagem Gabby Gabby é diferente, não é uma vilã de verdade, mas uma personagem que tem motivação para fazer o que faz no filme. Tem profundidade e ao mesmo tempo um carisma que a faz ser uma das mais interessantes da franquia. Mas a personagem que realemente comanda o filme com Woody é Beth, a pastorinha do primeiro filme. Ela participou dos dois primeiros e sumiu no terceiro. Os produtores admitiram que ela simplesmente foi cortada do Toy Story 3 devido a sua estrutura frágil, pois ela não ficaria inteira na cena do incinerador, então simplesmente ela não aparece no filme.

A primeira vista parece que Gabby Gabby é como Lotso, o urso vilão de Toy Story 3, mas durante o filme vemos que ela só faz as coisas querendo ser aceita.

Em Toy Story 4 começa explicando o que aconteceu com ela. E passado alguns anos, quando ela se encontra com Woody, Beth é uma personagem diferente, com experiencia de vida, que a transformou em um brinquedo forte, determinado e totalmente emponderado. Ela é responsável pelas maiores cenas de ação do longa e mostra espirito de liderança o tempo todo na história. Os produtores tiveram que mudar a história do filme, que seria centrado no amor entre esses dois brinquedos, mas acharam que assim eles seriam humanos demais e modificaram para ser uma história de resgate. Mas não deixaram de abordar o sentimento dos brinquedos quando se reencontraram. Você vê durante a película os olhares e percebe os sentimentos do caubói e da pastorinha durante o filme. Sempre é surpreendente como a Pixar consegue trabalhar tão bem as nuances e ao mesmo tempo faz o filme ser tão bom para os pais e para as crianças.

Como tendencia em Hollywood, Beth deixou de ser a namoradinha do herói e se tornou uma personagem forte e com personalidade. Ela mostra ser uma líder que Woody não é.

As enormes referencias ao universo da Pixar estão presentes na loja de antiguidades onde o filme passa sua maior parte. Se prestar atenção, há muitos easter eggs de outros filmes da produtora, como a estátua do urso de Valente, a placa A113, que aparece em todos os longas da franquia, há uma pintura que mostra um grupo de cachorros jogando pôquer. São Charlez Muntz e seus cachorros de “Up!: Altas aventuras” (2009). Até filmes bem recentes, como “Viva: A vida é uma festa” (2018), são contemplados em uma cena em que aparece uma vitrola, o disco que está colocado no aparelho é do músico Ernesto de la Cruz. Existem muitas outras referências.

O filme nos emociona ao mesmo tempo que nos faz rir muito, graças a Buzz, sempre hilário e aos coadjuvantes, que são extremamente engraçados e carismáticos. Não há como não torcer para os brinquedos ao mesmo tempo que temos aquela apreensão que eles podem ser deixados para trás, perdidos. É realmente uma montanha-russa de emoções.

O clima entre Woody e Beth é intenso durante todo o filme

Não sabemos se Toy Story terá uma nova sequência. A Pixar já anunciou que não fará mais sequências nos próximos anos, ficando centrada apenas em material original. Mas para mim, o fim de Toy Story 3 era a despedida perfeita para uma franquia que prima pela qualidade da história. Ela entregou o final mais emocionante de qualquer filme que tenha sido feito para o cinema. Mas Toy Story 4 mudou tudo em seu final, levando a história para outra direção e dando um final também muito emocionante. Se um dia houver uma nova sequência, estou tranquilo sabendo que a Pixar fará, pois provou que não importa se é capaz de nos entregar uma obra-prima, ela com certeza conseguirá novamente. Mas por enquanto, nos despedimos novamente de um velho amigo… com um nó na garganta.

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