Dois anos se passaram e novamente Sam Raimi volta a cadeira de diretor, trazendo os atores do original, mas quase perdendo sua estrela. Tobey Maguire chegou a ser dúvida na sequência de Homem-Aranha por ter machucado as costas no filme Seabiscuit. Mas felizmente ele se recuperou e tem uma cena no filme que faz até piada das dores nas costa. Curioso é que ele chegou a quase ser substituído por Jake Gyllenhaal, que hoje é o Mystério no novo filme do Aranha no MCU.

Com um orçamento agora em 200 milhões de dólares, com o roteiro escrito por Alvin Sargent a partir de uma história de Alfred Gough, Miles Millar e Michael Chabon, Homem-Aranha 2 acumulou mais de US$ 783,7 milhões mundialmente, embora tenha arrecadado menos que o primeiro. Mas a principal razão de ter conseguido uma bilheteria um pouco menor, foi a forte concorrencia neste ano, principalmente com Shrek 2, que arrecadou mundialmente US$ 919,8 milhões. Mas ainda assim, o filme foi um sucesso e a segunda maior bilheteria do ano de 2004. E foi melhor do que o primeiro filme.

Homem-Aranha volta em uma sequência melhor que o original

Homem-Aranha 2 elevou a história do primeiro filme. A produção foi mais caprichada, os atores estavam mais inspirados e a adição de Alfred Molina como o Dr. Otto Octavius foi um achado. Ele ficou perfeito no papel e foi o melhor vilão da franquia dirigida por Sam Raimi. A história se passa dois anos depois do primeiro filme, Peter está em uma maré de azar maior que habitual e ele começa sentir sinais de ansiedade e estresse. Nos filmes de Raimi, utilizando uma ideia do roteiro de James Cameron, o Homem-Aranha possui teias orgânicas e não artificiais como nos quadrinhos. Essa mudança acabou não sendo muito agradável aos fãs, que achavam que a criação do fluído de teia mostrava a inteligência de Peter. Mas como nos quadrinhos às vezes o herói ficava sem teias nas lutas, Raimi aproveitou o estresse para fazer o Aranha também ficar sem teia também no filme, o que o faz despencar dos prédios. Na verdade seus poderes começam a falhar. Afinal, além de ver Mary Jane ficar mais distante dele por causa de seus constantes sumiços, além dela estar para casar, a falta de dinheiro, o despejo de sua tia da casa dela, o novo vilão tentando matá-lo… A vida dele não está boa.

As cenas de ação são fantásticas. A luta do Homem-Aranha contra Doc Ok em cima do trem é uma das melhores da história do cinema

Raimi eleva o filme a praticamente a perfeição, cadenciando ação, drama e humor em um roteiro enxuto, que trabalha muito bem a história do herói. E olha que o filme tem algumas cenas longas entre Peter e sua Tia May, além da cenas com MJ. Que diretor ousaria colocar cenas dramáticas em detrimento de cenas de ação? Mas Raimi o faz magistralmente, contando sua história como ele quis e entregando um filme que se iguala a Superman de Richard Donnner. Como disse no artigo anterior, Raimi entendeu o que Donner fez em Superman e o atualizou, mostrando que as cenas de ação trabalham para a história, não ao contrário.

Parando o trem no braço e teias. Essa foi mais uma que entrou no imaginário popular, é reconhecida por qualquer pessoa.

As cenas de ação são espetaculares, mostrando a evolução da computação gráfica no filme. Esguio e ágil, o Aranha em CGI é convincente e nos faz pensar que estamos vendo o gibi em movimento. Toda vez que o herói balança nos prédios é sempre um deleite para a visão. A luta principal contra o Dr. Ocutopus em cima do trem é uma das melhores cenas do cinema de ação, que ainda hoje não foi igualada. Com o recurso de câmera móvel, a luta se torna fantástica em cenas panorâmicas de tirar o fôlego.

Tobey Maguire e Kirsten Dunst tem uma ótima química e o romance entre os personagens ficaram bem mais interessante

Não só as cenas estão fantásticas, mas também as caracterizações dos personagens. Tobey Miguire é fantástico como Peter/Homem-Aranha. E vemos que entrega uma interpretação muito emocional, com um Peter sentindo o mundo em seus ombros, mas ainda assim cômico. Tobey consegue mudar de cômico para dramático e vise-versa com tremenda facilidade. A química com Kirsten Dunst ficou mais acentuada, mostrando quando ambos estão juntos, são realmente um casal. A cena em que ambos estão em uma cafeteria é tensa e cheio de interpretação. E só não foi mais longe porque logo depois a cena foi interrompida por um carro que vem voando e obriga o herói a salvá-la. Só um diretor do nível de Raimi consegue mudar o tom da cena, de drama para ação de modo tão orgânico. As cenas de Peter com a Tia May também são muito intensas e a interpretação de Rosemary Harris e Tobey Maguire são dignas de Oscars. E a adição de Alfred Molina só melhorou o filme, pois sua interpretação faz do Doutro Octopus um vilão que você torce para ele não perder, mesmo que você torça para o Aranha ganhar. Molina entrega um Octopus trágico, mas ao mesmo tempo sarcástico, o que o faz muito carismático. Ele rouba a cena quando aparece. Mas não podemos esquecer de J.J.Jamenson, em uma interpretação novamente impagável de J.K.Simmons. Continuando perfeito na interpretação do personagem, Simmons faz qualquer um cair na gargalhada com suas tiradas sarcásticas e inteligentes. Ele é a estrela do filme e impossível de ser substituído.

Alfred Molina entrega uma ótima performance de Doutro Octopus. Ameaçador e carismático, é o melhor vilão de todas as franquias do Homem-Aranha

Conforme falado acima, os efeitos especias foram uma das coisas que mais evoluiu no filme. Responsável por dar veracidade aos personagens, John Dykstra misturou os efeitos digitais com animatronics para dar vida aos tentáculos do Dr. Octopus, além ter criado a câmera móvel que fazia as panorâmicas do balanço do herói até a luta no trem. Outra cena que entrou no imaginário popular foi o Homem-Aranha parando o trem utilizando as teias. Se tornou clássico. Sem dizer as lutas do Dr. contra o Aranha nos prédios, que mostraram todo o talento de Sam Raimi, que dirigiu entre efeitos prático e CGI. Elas ficaram absurdamente realistas e incrivelmente coreografadas.

J.K.Simmons é impagável com J.J.Jameson. Quando entra em cena, só dá ele. Imitável, o personagem não apareceu em nenhum dos novos reboots.

O roteiro de Alvin Sargent conseguiu ser ainda melhor do que do primeiro filme. Como o primeiro condensava 40 anos de história do Homem-Aranha, Sargent ficou livre para criar uma história mais coesa e focada nos personagens, mais ainda no que o primeiro filme fez. Dessa forma, varios arcos do filme anterior foram amarrados de forma bastante satisfatória, alem de criar ganchos para uma sequência, principalmente com Henry Osborn de James Franco.

Raimi dirige Tobey. Diretor conseguiu elevar o nível da sequência

Com uma ótima história, efeitos especias impressionantes, cenas de ação de tirar o fôlego, além de interpretações de primeira qualidade, Homem-Aranha 2 elevou o nível dos filmes de super-heróis a um novo patamar, mostrando que esse novo “gênero” veio para ficar, além de provar que o Homem-Aranha não é só o melhor super-herói dos quadrinhos, também é no cinema. Ele é um super-herói que também se machuca, sente amor, a dor da separação, o estresse das responsabilidades e abre mão de sua felicidade para continuar salvando vidas. Ele é um super-herói, mas é o mais humano deles.

Homem-Aranha 2 é um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos, se equiparando ao Superman de Richard Donner
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