Com o lançamento de Homem-Aranha Longe de Casa, iremos falar sobre como o Aranha chegou ao MCU, já que os direitos de filmes pertence a Sony.

Homem-Aranha é o personagem mais querido pelos fãs da Marvel e a vontade de vê-lo no MCU, dividindo espaço com os Vingadores, sempre foi o sonho dos fãs. Embora a trilogia do Homem-Aranha dirigida por Sam Raimi tenha sido a pavimentação da Marvel Studios, os fãs queriam muito ver o herói no MCU. Mas com os direitos do personagem com a Sony, o sonho não iria passar disso… ou ía?

Com o milagroso acordo entre a Sony e a Marvel Studios, Tom Holland pode entrar no MCU, estreando em Capitão América: Guerra Civil. Mas foi em seu próprio filme, Homem-Aranha De Volta ao Lar, que o herói foi apresentado ao seu mundo. O filme foi um ponto de virada no status quo da MCU. Para entender como o Aranha surgiu no Universo Marvel, temos que verificar os eventos que o levaram a entrar.

A estreia do Aranha no MCU no filme Capitão América: Guerra Civil levou os fãs ao delírio

Nos anos 90 os direitos do personagem estava em litígio e o filme iria ser dirigido por James Cameron, mas como o imbróglio não se resolvia, o diretor abandonou o projeto. No entanto, após uma década e desembolsar US$ 7 milhões, a Sony finalmente se tornou proprietária dos direitos do personagem e chamou Sam Raimi para dirigir o filme. Com o sucesso de X-Men, uma produção caprichada do Cabeça de Teia seria com certeza um sucesso. Já os filmes O Espetacular Homem-Aranha foram detestados pelos fãs, com uma arrecadação bem menor do que os filmes de Raimi. As vendas de brinquedos diminuíram por causa do desinteresse nos filmes. Mas em 2014, nos ataques de hacks aos servidores da Sony, foi descoberto e-mails com a negociação entre a Marvel e a Sony.

Os executivos da Sony, incluindo Amy Pascal e Michael Lyton, não sabiam o que fazer com a franquia depois da recepção fria dos novos filmes. E a Sony precisava fazer filmes, pois perderia os direitos do personagem. Nisso a Marvel fazia lobby para ter o controle criativo do Homem-Aranha.

O Abutre foi o vilão de estreia do filme do herói o MCU

A Marvel partiu para o ataque, onde usou duas frentes para recuperá-lo. Enquanto Perlmutter visava Lyton, Kevin Feige abordava Pascal sobre seu plano de revigorar o Homem-Aranha no MCU. Perlmutter teve sucesso em abrir negociações, mas Pascal acabou bombardeando o acordo, que viu a oferta como um insulto a ela e ao o estúdio. A Marvel não queria dar para trás e insistiu com Bob Iger, que conseguiu convencer o CEO da Sony, Kaz Hirai, sobre a ideia. Os executivos aceitaram a ideia, mas Pascal tinha sentimentos mistos nessa negociação. Perlmutter propôs a Marvel bancar metade do próximo filme do Aranha e a Sony ficaria com 5% da bilheteria de Capitão América: Guerra Civil. Com isso as conversas terminaram em novembro de 2014.

Nisso, Amy Pascal colocou todas as fichas no Sexteto Sinistro, da Sony.
Drew Goddard foi escolhido para dirigir o filme, com um tom mais leve que seus antecessores, mas assim que Goddard terminou seu primeiro rascunho, os servidores da Sony foram invadidos e os e-mails e arquivos foram à público, o que forçou o encerramento do projeto, visto que o funcionamento interno foi exposto, a pressão para um novo sucesso foi maior do que nunca.

A relação de pai-filho entre Peter e Tony foi a tônica do Aranha no MCU

Como a Sony percebeu, uma reinicialização seria prejudicial e poderia afastar ainda mais o público de um novo filme do Aranha. Então a Sony aproximou-se da Marvel Studios para fechar aquele acordo que estavam negociando. A Sony queria economizar 15 milhões de dólares, mas a ameaça de ter um fracasso a fez mudar de ideia. Amy Pascal e Feige se encontraram novamente, em um clima muito mais cordial. Após discutirem ideias, decidiram dar ao filme um tom “mais John Hughes.” Depois de algumas semanas, a Sony e a Marvel fecharam o acordo para levar o Homem-Aranha para a MCU.

Então, com o acordo firmado, o Homem-Aranha seria apresentado em Capitão América: Guerra Civil, produzido e lançado pela Marvel Studios, em seguida ele continuaria a partir daí com seu próprio filme, Homem-Aranha De Volta ao Lar, supervisionado criativamente pela Marvel Studios, mas financiado e distribuído pela Sony. O acordo não foi para co-financiamento dos filmes, cada um teria direito a produzir e distribuir suas próprias produções com o escalador de paredes, que ficaram cada um com seus lucros. Mas a Marvel teria que pagar US$ 35 milhões para ter direito de merchandising, mas seria diminuído se o filme ultrapassasse os US$ 750 milhões.

Michael Keaton finalmente deu um ótimo vilão a Marvel, deste Loki

Amy Pascal e Layton se reuniram com Perlmutter e Feige para discutir os detalhes e assinaram um acorde de nove páginas. Dias depois, Pascal foi demitida da Sony. Como os dois estúdios nunca trocaram ativos, o contrato pode ser rescindido a qualquer momento por ambos. Pascal foi responsável pelo início cinematográfico do Homem-Aranha em 2002 e foi produtora de De Volta ao Lar e Longe de Casa.

Com tudo fechado, a Marvel se concentrou em encontrar um diretor para o filme. O escritor e diretor Drew Goddard, que estava envolvido com a produção do cancelado Sexteto Sinistro foi sondado, mas não teve um ideia para o filme. Feige, durante a divulgação de A Era de Ultron, disse que o seu Homem-Aranha seria um menino de 15 ou 16 anos e que sua origem não seria recontada novamente, tendo assim sua origem em aberto.

A inspiração para o filme foi os filmes de John Hughes. Peter é apenas um herói adolescente

A seleção de diretores fechou em 2015 com vários sendo considerados, mas os finalistas foram a dupla Jonathan Goldstein e John Frances Daley e John Watts, com este último sendo confirmado no fim de maio. Watts só tinha um filme no currículo, mas a Marvel queria vozes novas e não estava mais atrás de medalhões, uma tendência que se manteria por toda a fase 3. Na primeira versão de Watts, Nick Fury seria o mentor de Peter, sendo que após um tempo, perceberam que o melhor seria Tony Stark, conforme foi filmado.

Watts foi convidado a incorporar ideias durante o filme Capitão América: Guerra Civil, visitou o set do filme na Holanda e leu o roteiro. O diretor ficou empolgado em trabalhar o nível mais de base do MCU em vez do nível mais alto, com os Vingadores. Feige também estava empolgado em lançar vilões que ainda não tinham sido usados. A dupla Goldstein e Daily foi contratada para escrever o Homem-Aranha De Volta ao Lar, em julho de 2015.

John Watts dirige Holland e Keaton

Eles conseguiram o emprego com a proposta de mudar a direção deste filme em relação aos anteriores. Eles também evitaram colocar a locação nos horizontes de Manhattan, escolhendo as locações nos subúrbios do Queens, Coney Island e até Washington DC. Além disso, lançaram a cena do herói em cima de um avião à 10.000 pés de altura, sem uma rede de segurança.

Encorajados pela Marvel, os escritores inseriram suas personalidades e humor no roteiro. Se concentraram sua história nos aspectos de maioridade, colocando temáticas mais profundas. De Volta ao Lar é sobre Peter aprendendo a usar seus poderes e a lidar com seus medos e fraquezas, como qualquer “humano”. A cena em Washington em que ele mostra medo de altura foi para enfatizar o quanto ele ainda era inexperiente e tinha medo.

Watts foi buscar mais inspirações nos quadrinhos, e percebeu que o Aranha era a perspectiva humana no mundo fantástica da Marvel. Ele também se inspirou com as histórias de Ultimate Spider-Man e Mary Jane ama Homem-Aranha. O estilo buscado de John Hughes foi a base, mas outros filmes foram também inspiração.

Marisa Tomei é a tia May mais jovem de todos os filmes, sendo chamada por Stark como tia Gata.

Marisa Tomei já tinha sido contratada e em 2016 a ex-atriz da Disney Zandaya foi contratada para um papel não revelado, mas os fãs apostavam que ela era Mary Jane Watson. Mais tarde, foi revelado que sua personagem se chamava Michelle Jones, mas também era chamada de MJ. Desse jeito o filme toma uma liberdade em apresentar sua MJ com uma personalidade muito diferente da MJ dos quadrinhos, sem mudar a personagem que todos conhecem. Watts queria interpretar o Queens como um lugar diferenciado e como consequência, o filme possui a maior diversividade entre todos do MCU.

Para pavimentar o filme no MCU, em abril de 2016, foi confirmado a presença de Robert Downey Jr como Tony Stark, o relutante mentor de Peter, que dava ao filme o nível elevado do MCU para De Volta ao Lar, mas ainda era de base, proposto por Watts. Logicamente, a inclusão de Downey Jr consolidava as perspectivas financeiras para o filme. A relação entre Stark e Peter foi criada em Guerra Civil e evoluiu em De Volta ao Lar, que foi a base do Aranha no MCU. Com isso, o principal problema da Marvel nos cinemas poderia ser resolvido, que era os vilões. Tirando Loki, não havia um vilão memorável que fosse tão carismático, pelo contrário, todos foram praticamente descartados até o fim do filme que se apresentaram. Somente algumas semanas após a confirmação de Downey no filme, foi revelado que Michael Keaton, o Batman de 1989 e Batman O Retorno, estava em negociações para interpretar um vilão, que foi revelado posteriormente ser o Abutre, mas Keaton acabou abandonando por conflitos de agenda.

Zandaya foi escolhida para ser M.J., mas não é a Mary Jane Watson

Mas ele acabou retornando quando sua agenda ficou livre em maio de 2016. Keaton levou seriedade ao personagem, mudando a personalidade e história do Abutre, que deixou de ser o típico vilão para transformá-lo em “vítima dos eventos”, como ele se considerava, que embora fosse um criminoso, fazia tudo para dar uma vida melhor à sua família. Ou seja, não era por delírios de grandeza que ele tinha se tornado um vilão, mas no seu jeito torto, achava que tinha que fazer porque tinha boas intensões.

Quando chegou ao cinemas em junho de 2017, Homem-Aranha De Volta ao Lar teve uma nota de 92% do agregador de críticas do Rotten Tomatoes e terminou com US$ 880 milhões em arrecadação em todo o mundo. Mesmo com o sucesso de público e crítica, alguns fãs não gostaram da adoção da tecnologia ao traje de Peter, dizendo que ela diminuía a importância da sua inteligencia ou até mesmo o mostrava menos do que ele realmente era. Mas, na verdade, a inclusão do traje tecnológico era uma visão mais honesta do espirito do personagem.

Uma cena que demonstra isso do melhor jeito possível é a homenagem a edição Amazing Spider-Man #33, em que a famosa cena que o Aranha precisa levantar um maquinário pesado que o prende, enquanto ele lutava pelo medo de perder todos que ama. Depois do lançamento do filme, Feige disse que era um momento que ele queria muito ver no filme, então a dupla Goldstein e Daily a incluíram, e isso acentuou um lado do Homem-Aranha que ainda não tinha sido aproveitado nos outros filmes.

Homem-Aranha De Volta ao Lar foi um grande sucesso

Deste que o MCU começou a se desenvolver, o Aranha sempre foi o sonho de consumo dos fãs da Marvel e agora que o estúdio é dona dos X-Men e Quarteto Fantástico, graças a compra da Fox pela Disney, o sonho de uma Guerras Secretas ou outra saga que junte todos os heróis, não é mais um sonho distante. Vamos somente torcer que a Sony nunca pense em terminar o acordo, pois nenhum personagem é mais a cara da Marvel que o amigão da vizinhança.

 

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