Ficamos impressionados como algumas pessoas são tão obtusas em relação a diferenças. Sem o menor pudor, vão às redes sociais atacar pessoas pelo simples fato de acharem que elas não são merecedora de suas conquistas.

Semana passada foi divulgado que a Disney escolheu a atriz Halle Bailey para ser Ariel, a protagonista da Pequena Sereia, um dos vários remakes que o estúdio está fazendo. Aí começou a gritaria na internet, somente porque a atriz é negra enquanto a princesa sereia é uma ruiva no longa animado original. A jovem atriz de 19 anos começou a ser atacada pelas redes sociais simplesmente por causa da cor de sua pele. Ninguém parou para analisar seu trabalho, se ele é ou não a escolha certa para o papel pelo seu talento, mas sim por causa da estética, somente porque a personagem originalmente é ruiva. Aposto que muita gente aqui no Brasil deve ter tido o mesmo pensamento. E esses choros dos fãs racistas levou ao hashtag #NotMyAriel, dizendo que a Disney estava arruinando sua infância. Puro racismo.

Na série animada A Pequena Sereia de 1992, foi criada uma sereia negra chamada Gabriella. Ela ainda por cima era surda. Então, qual o problema de Ariel ser negra?

Outros artistas, além da própria Disney, foram à público defender e apoiar Bailey. Até mesmo a atriz original, Jodi Benson, apoiou a ideia de um Ariel não-branca, argumentando que é tudo sobre a personagem e a magia dentro dela. A atriz também é cantora e cai como uma luva no espirito e talento que a Disney necessita para levar a Pequena Sereia em versão de carne e osso ao público da nova geração. E o próprio filme original mostrava várias sereias não-caucasianas. Não há argumento nenhum em Ariel não ser caucasiana, ela poderia ser afro-americana, africana, hispânica, nipônica e ainda assim, ela seria a mesma Ariel.

Jodi Benson, a dubladora original defende a escalação de Bailey.

Esse é o caso mais recente da intolerância de determinados grupos de fãs. Durante a produção da série live-action dos Titãs, série do serviço de streaming DC Universe, mais casos de ataques virtuais ocorreram com a atriz Anna Diop quando ela foi oficializada como a alienígena Estelar. Para esse grupo, a atriz que deveria ser a Estelar deveria ser branca. Mas, nos quadrinhos, ela é uma alienígena dourada, não há etnia definida para ela. Estelar poderia ser qualquer atriz, americana, afro, hispânico, etc. A revolta desse grupo é simplesmente racista e não há justificativa para a indignação deles. O próprio Mutano também foi atacado por ter descendência japonesa.

Anna Diop foi massacrada por ser Estelar dos Titãs. Motivo? Ela não era branca. Mas Estelar é alienígena e sua pele é dourada. Então ela não era branca, não tem etnia. Sem justificativa para esses ataques.

Em uma entrevista recente, Idris Elba, que interpretou o deus nórdico Heimdall, que nos quadrinhos é branco, admitiu que fica chateado com os comentários sobre que ele não deveria interpretar determinados papeis, somente porque os atores que vieram antes eram brancos. Já tem alguns anos que os fãs fazem campanha para ele ser o novo James Bond, o 007 nos cinemas. Pelo seu talento, eu gostaria que ele fosse o próximo, já que Daniel Craig vai finalmente deixar o papel. Ele é um ótimo ator, merece pelo seu talento.

Mais uma vítima. Um grande ator tendo que aguentar manifestações racistas

O mundo está mudando e os estúdios de cinema, as editoras de HQ e tudo que é relacionado ao entretenimento já percebeu isso. O cinema tem mais de 100 anos, as HQs de super-heróis tem mais de 80. Durante os anos 80 os negros começaram a ter papeis melhores no cinema e a passos vagarosos foram ganhando espaço, assim como as mulheres e outras etnias. Hoje temos uma deficiência de diversidade que o cinema/quadrinhos/TV tentam remediar. Estamos bem melhores que antes, mas ainda temos muito a avançar.

Não vejo problema em mudar a etnia ou orientações dos personagens, deste que eles não percam sua essência. Quando Brian Michael Bendis, na série Ultimate Spider-Man matou o Aranha Peter Parker, ele o substituiu por Miles Morales, um garoto afro-hispânico-americano. Ou seja, ele era negro. Muita gente torceu o nariz, mas logo se mostrou um sucesso, pois, assim como Peter Parker se tornou a representação do americano típico nos anos 60, Miles é a representação da diversidade dos século XXI. Mesmo sendo um personagem diferente etnicamente de Peter, ele tinha a essência do Homem-Aranha, e continuava sendo “qualquer pessoa pode ser o Homem-Aranha”. Esse sempre foi o sucesso do personagem, pois qualquer um poderia usar aquela máscara.

Miles Morales é afro-americano e estrelou o melhor filme do Homem-Aranha de todos os tempos. E era animação, imagina se fosse em live-action

Nos livros, HQs, filmes, TVs, todos queremos estar representados, pois no mundo real não existe somente brancos. Há tanta diversidade que quando vejo um filme mais antigo, começo a perceber que só há brancos e os poucos negros estão lá só para fazer figuração ou alívio cômico. Tanto que filmes de hoje fazem muita piada com a situação dos negros nos filmes antigos.

Há uma corrente de fãs que pedem que Michael B. Jordan seja o novo Superman. Nos quadrinhos, na Terra-2, Superman é afro-americano e seu rosto é baseado em Barak Obama. Mas na Terra-1, o principal, ele ainda é caucasiano. Mas não vejo problema se o cinema usasse Jordan como Clark Kent. Mantendo o espirito, a essência do último filho de Kripton, acho que o talentoso ator ficaria muito bem no papel.

Fãs querem Jordan como o Superman. O ator ficaria bem neste papel

Dizer que um ator não pode interpretar um personagem por causa de sua etnia é um tremendo absurdo, pois é bem possível que esses personagens só tenham sido criados ou foram interpretados por atores brancos por terem aparecido na década de 60 e anteriores. Se não, é bem provável que fossem de todas as etnias. A indústria está cada vez mais incluindo a diversidade, mas ainda falta uma parte do público. Pois dizer a uma jovem atriz que ela não pode interpretar uma personagem porque, no original ela era caucasiana, e ela é negra, é racismo! E Gabriel O Pensador já cantava, racismo é burrice. E burro é uma coisa que os fãs verdadeiros não são. Que venha a nova Ariel, minha infância não será destruída, pelo contrário, a nova geração será representada.

“…Riquezas são diferenças…” Titãs, álbum O blésq blom

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.