Depois do sucesso de Vingadores: A Era de Ultron, a pesar de todos os problemas que estavam ocorrendo na produção do filme, era esperado o novo sucesso do MCU. E o novo filme que estava vindo não era exatamente um filme “novo”. Homem-Formiga era uma produção que estava a anos tentando sair do papel. Embora para a maioria das pessoas o Homem-Formiga fosse um personagem de quinta, e seus poderes de encolher fosse um poder até ridículo, ele foi um dos melhores personagens da idade da prata da Marvel e um dos fundadores dos Vingadores. E Stan Lee acreditava tanto no personagem que tentou fazer um filme dele durante a década de 1980.

Quando a Marvel fez um acordo, que acabou nunca saindo do papel, para fazer o filme com a extinta Artisan Entertainmen, Edgar Wright acabou entrando no projeto. Embora o filme nunca tenha ido para a frente, anos depois, quando a Marvel Studios foi criada, o Homem-Formiga foi um dos heróis que inicialmente estava nos planos para desenvolver um filme, mas ironicamente, mesmo tendo um roteiro e diretor, foi a produção mais conturbada do estúdio. E o problema não foi o desenvolvimento do filme, mas sim pelas mudanças drásticas que o MCU fez quando Wright finalmente começou a desenvolvê-lo. O filme conseguiu sobreviver mesmo com a saída de última hora de seu diretor. Vamos ver como foi exatamente.

Com dito anteriormente, o envolvimento de Wright foi anterior a criação da Marvel Studios, e com ele e Joe Cornish desenvolvendo um roteiro ainda em 2003 para a Artisan, que na época tinha os direitos do filme. O roteiro contava a história de Scott Lang, um ladrão, mas também mostrava o encontro com Henry Pyn, sendo que este teria uma cena de abertura como o Homem-Formiga nos anos 60, bem ao estilo de Tales to Astonish e depois, nos dias atuais, Scott Lang passaria a ser o Homem-Formiga.

Edgar Wright trabalhava no filme do Homem-Formiga deste 2003

O filme acabou não vingando, e quando a Marvel Studios começou a ser criada, Kevin Feige e Avi Arad foram até Wright e perguntaram se o diretor não se interessava em dirigir algum filme de algum herói da Marvel. Então Wright mostrou-lhes o roteiro já pronto do Homem-Formiga, que ele e Cornish escreveram para a Artisan, e então ele se tornou a base para o filme do Homem-Formiga na Marvel Studios.

Com isso, Homem-Formiga de Wright e Cornsih foi anunciado como produção inicial junto com Homem de Ferro de Jon Favreau, Thor e Capitão América. Wrigth foi ao San Diego Comic Com em 2006 junto a Favreau para apresentar o Homem de Ferro e provocar a plateia sobre Homem-Formiga, além de organizar seu painel sobre seu novo filme, Chumbo Grosso, estrelado por Simon Pegg. E mesmo naquela época, ele já tinha a estrutura que seria o filme do Homem-Formiga finalizada.

Wright acabou terminando sua nova versão do roteiro em 2008, mas não houve pressão, pois a Marvel não tinha prioridade neste filme, eles estavam mais preocupados em terminar Homem de Ferro, Capitão América, Thor e correr para os Vingadores. Então Wright continuou a trabalhar no projeto, entre outras produções.

Após completar seu novo filme em 2011, Scott Pilgrim Contra o Mundo, Wright e Cornish entregaram a nova versão do roteiro e parecia que finalmente o filme seria produzido. Em maio de 2012, enquanto a Marvel se preparava para lançar Os Vingadores, Wright estava produzindo um filme-teste para mostrar como iria capturar os poderes do herói na tela. A Marvel realmente queria lançar o Homem-Formiga na fase 2 e até adiou a produção para que o diretor terminasse seu filme de ficção-cientifica O Fim do Mundo. Antes disso, Wright mostrou seu teste no San Diego Comic Com de 2012 e atiçou os fãs, que ficaram impressionados com o herói mostrando seus poderes, mas acabou sendo a única coisa que ele gravou do Homem-Formiga. Em outubro de 2012, Wright foi dirigir o filme O Fim do Mundo e em julho de 2013, ele e Cornish tinha o roteiro completo para poderem tocar o projeto, mas quando o diretor terminou o filme de ficção cientifica e partiu direto para começar a dirigir o Homem-Formiga, foi quando as coisa desandaram.

Em 2013 Wright abandoou o projeto por diferenças criativas

O problema é que Wright queria um filme independente, como se fosse no mundo real e onde outros heróis não existissem, mas a Marvel estava expandindo e criando seu universo compartilhado. Em outubro de 2013, a Marvel já estava em processo de contratação do elenco, para lançar o filme em julho de 2015. Para Scott Lang, a Marvel e Wright reduziram a lista de atores para Joseph Gordon-Levitt e Paul Rudd, mas relatos dizem que a Marvel queria Levitt para ter atores mais jovens no MCU, mas Wright queria Rudd, que acabou prevalecendo. Em dezembro Rudd foi oficialmente contratado, ao mesmo tempo que a produção mudava dos EUA para o Reino Unido. Um mês depois, Michael Douglas é contrata para ser Henry Pyn, o Homem-Formiga original. Wright e Feige descreveram o filme como uma história de assalto, com Pym passando o manto de Homem-Formiga ao ladrão Scott Lang.

As contratações continuaram com Michael Peña assinando e Evangeline Lilly em negociações para interpretar a filha de Henry Pyn, Hope e Corey Stoll para um papel não divulgado. Mas com a produção se iniciando em julho de 2014, a tensão entre Marvel e Wright começou. Wright e Cornish escreveram dois rascunhos adicionais para o roteiro, tentando encaixar as anotações da Marvel sem comprometer suas visões, e a Marvel passou o início das filmagens de junho para julho para poderem termina-los.

Michael Douglas como Henry Pyn, o Homem-Formiga original

Mas a Marvel não estava satisfeita com os roteiros e passou para seus escritores internos, que quando voltaram às mãos de Wright, com mudanças sem sua anuência e fora de sua visão, ele decidiu abandonar o projeto dois meses antes do início das filmagens. Wright disse depois, que ele queria fazer um filme da Marvel, mas a Marvel não queria fazer um filme de Wright. No verão de 2014, Feige alegou que a Marvel e Wright não eram compatíveis e não funcionariam seus trabalhos juntos.

Até Joss Whedon, que estava trabalhando duro em Os Vingadores: A Era de Ultron mostrou seu descontentamento com a partida de Wright e chegou a falar que o roteiro do diretor era o melhor que a Marvel já tivera.

Mesmo com a saída de Wright, a Marvel queria manter a data de lançamento para julho de 2015, então foi atrás de um novo diretor, sendo Adam McKay procurado dias depois da saída de Wright. Ele declinou da oferta, mas concordou em dar uma chance ao roteiro. Mckay disse que Paul Rudd o ligou e explicou a situação, então ele, como amigo de Wright, não queria tomar parte disso, mas como ele leu o roteiro e gostou muito, ele quis reescrevê-lo para manter a essência da história.

Paul Rudd e a maior parte do elenco já estava contratada antes da saída de Wright, menos Evangeline Lily, que teve tempo de decidir se entrava ou não no filme.

McKay e Rubb começaram a reescrever o roteiro, e Mckay ficou impressionado com as ideias de Rubb, dizendo que ele era um ótimo roteirista. A dupla foi responsável em trazer a presença de Janet Van Dyne para o filme, a inclusão do reino quântico, e, claro, a briga com Falcão no meio da história. Eles também expandiram o papel de Hope e adicionaram as hilárias sequências de Luis. Além disso, eles substituíram a sequência de ação “Tales to Astonish” apresentando o jovem Hank Pym com a cena de flashback.

Mas o filme ainda precisava de um diretor e após a Marvel ter considerado muitos, foi Payton Reed o escolhido para comandar a produção em 7 de junho de 2014. Reed e a Marvel já tinha um relacionamento existente, visto que ele estava no topo da lista para dirigir Guardiões da Galáxia, que acabou nas mãos de James Gunn. O próprio Reed disse que estava devastado com a saída do amigo e que as bases de seu roteiro eram de Wright e Cornish, que mesmo sendo dois roteiros diferentes, a ideia era a mesma.

Michael Peña deu show como Luis, o alivio cômico do filme

A Marvel trouxe dois novos roteiristas, Gabriel Ferrari e Andrew Barrer, para reescrever o roteiro e a maior parte do elenco já havia assinado antes da saída de Wright, menos Evangline Lilly. Ela ainda não tinha fechado contrato e quase abandonou o projeto, com medo de que a Marvel não fizesse um bom trabalho, afinal ela admitiu que teve sorte de estar nessa posição, então não teria que ser forçada a fazer um filme que ela não estivesse acreditando.

Com as filmagens marcadas para agosto, a Marvel levou o elenco e diretor para a San Diego Comic Com em julho, dois meses após a saída de Wright, para tranquilizar os fãs. A produção cumpriu o planejado e não houve nenhum problema até o fim das filmagens. Na verdade a produção foi bem tranquila em relação a fase de Wright e a única “controvérsia” foi quando Feige confirmou que Homem-Formiga seria a culminação da fase 2 e não o início da fase 3, como inicialmente planejado.

O filme teve ótimos efeitos visuais

Homem-Formiga é o filme mais diferente do MCU, se afastando um pouco dos outros, talvez por ter sido usado o roteiro de Wright como base. Não há como saber se o filme de Wright seria melhor do que o filme de Payton Reed que chegou aos cinemas, mas é certo que a demora para filme sair foi o motivo que ele acabou não vingando. Enquanto o MCU não tinha ainda um rosto, o Homem-Formiga de Wrigth tinha toda a chance de se tornar um filme, mas depois de tudo consolidado, o roteiro se tornou algo estranho neste universo. Não iria para a frente como Wright gostaria.

O vilão foi o Jaqueta Amarela, interpretado por Corey Stoll

Em 17 de julho de 2015, Homem-Formiga foi lançado, milagrosamente em sua data prevista. Mas, na semana de estréia, ele conseguiu apenas US$ 57 milhões, sendo a segunda menor arrecadação da história do MCU, e se recuperou conseguindo US$ 519,3 milhões ao redor do mundo. Para um filme de estreia, conseguiu ser melhor que Thor, Capitão América: O Primeiro Vingador e o Incrível Hulk. O mais importante em Homem-Formiga foi que com ele o MCU conseguiu introduzir um novo e carismático herói em seu universo, que teria destaque nos filmes futuros.

No Próximo artigo, falaremos da produção que iniciou a fase 3 como um dos maiores filmes da Marvel, em um acordo inovador entre dois estúdios, que faria a aparição mais emocionante da história dos super-heróis.

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