O filme estreou há duas semanas, mas já conseguiu impressionantes US$ 962,7 milhões em bilheteria. Mesmo que tenha tido reações mistas pela crítica especializada, não podemos negar que é um enorme sucesso, pois é capaz de antes do fim de semana ultrapassar a barreira de 1 bilhão de dólares.

Olhando por números poderíamos dizer que o filme é ótimo, mas é um pouco mais complicado. A verdade é que não podemos medir a qualidade pela bilheteria. Mas o filme se tornou um sucesso comercial, isso não podemos mesmo negar. Então, vamos o filme é ruim ou é bom? A verdade é que fiquei divido.

Acredite, aqui era um momento de ternura entre Nala e Simba.

Quando o filme começa, ficamos realmente impressionados, pois tudo, deste um grão de areia aos animais foram feitos no computador. Não há mais realmente como diferenciar o real do CGI. A abertura do filme é emblemática porque ela é idêntica ao filme animado original. Está lá o sol nascendo, os animais indo para a Pedra do Rei, as panorâmica que nos mostram a beleza do reino de Mufasa. Os animais são tão perfeitos que não há como diferenciá-los dos animais reais.

As músicas continuam, com poucas variações no ritmo, as mesmas. Ou seja, continuam ótimas. A história também segue a mesma, quase não há nenhuma mudança e encanta a criançada.

O realismo é impressionante

O problema é que esse realismo tira uma coisa que o original tinha, que era o encanto lúdico. Veja bem, no filme animado, os animais eram humanizados, com expressões que nos mostravam o tempo todo o que sentiam. Os animais reais não tem expressão e isso tira muito do filme. Quando Mufasa fala com Simba ainda criança sobre o ciclo da vida, ou dá a ele uma explicação do medo que sentiu quando poderia perdê-lo, o impacto dessas cenas desapareceram, pois no original, as sua expressões, sorrisos, olhar, tudo nos encantava e nos ligava aos personagens, diferente do realismo da nova versão.

A cena da morte de Mufasa não tem nenhum impacto quando vemos Simba vendo o pai cair, nenhuma expressão temos ali, apenas um filhote que poderia está apenas rugindo, se não fosse o grito do dublador. Esse é um grande problema para os adultos que viram o original, afinal, como todo remake, sempre iremos comparar os filmes, mas o Rei Leão é o mais emblemático de como os remakes são complicados de serem feitos para agradar a platéia. As mudanças que ocorrem, como por exemplo com Scar, é ao mesmo tempo importante por completar sua história, como também é ruim em mudar sua personalidade. Ele deixa de ser um personagem interessante, pois era sarcástico e tinha as melhores tiradas do filme, para um personagem apenas amargurado. Perdeu muito do seu carisma.

Scar, mais realista e ao mesmo tempo perdeu a personalidade debochada e sarcástica que possuía na versão original

Nala ganhou algumas cenas e mais presença no filme, mas Sarabi ficou bem apagada. Na verdade o realismo mais uma vez atrapalhou, pois no meio de tantas leoas, não dava para saber quem era quem. Já Timão e Pumba continuam engraçados, mas novamente o realismo atrapalhou um pouco. Era incômodo ficar vendo Timão agindo como um suricate de verdade, com o braço o tempo todo abaixado enquanto estava em pé falando, visto que sua postura corporal no filme dizia muito de sua personalidade.

Embora o filme tenha sido o maior obra visual de todos os tempos, onde não há mais como separar o real do CGI, o filme perdeu muito ao colocar realismo em um filme que o seu original era tão lúdico ao apresentar animais tão humanizados, com expressões que davam a todos personalidade. Nesta versão não houve nada disso. Mas o filme está longe de ser ruim, muito pelo contrário, o único problema é que não temos como não comparar os dois filmes e o original sai ganhando. Teve uma cena que Timão e Pumba faziam uma referência a Bela e a Fera, também da Disney. Neste caso me lembrou que, assim como os animais dessa versão, a Bela de Emma Watson também não tinha expressão nenhuma, mas Simba e companhia pelo menos tem mais carisma.

O Rei Leão de 1992, conexão com os personagens bem humanizados

O filme pode fazer muito dinheiro, mas falha em criar uma conexão, assim como o original criou. Talvez, daqui a alguns anos, quando lembrarmos dessa versão, será somente porque foi o precursor em mostrar que visualmente o cinema chegou ao ápice do realismo em CGI, mas que foi um desenho em 1994 que encantou uma geração.

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