A nova temporada de Stranger Things foi lançada em 4 de julho e continua com o sucesso da série. Mas porque o programa esta sendo considerado um dos melhores da Netflix, com uma audiência tão grande? A série é realmente boa assim? A resposta é sim, ela é ótima, e o que fez dela um sucesso é seu tom fortemente tematizado e enredo com doses de ficção-científica, além de personagens carismáticos. Na verdade, a temática dos anos 80, principalmente influenciada pelas obras de Steven Spielberg, John Carpenter e Stephen King, acaba atraindo uma grande parte do público pela nostalgia. É impossível não ver os protagonistas infantis como uma versão dos Goonies, ou a menina Onze como Carrie – A Estranha, ou o clima e a floresta como as do filme de E.T., o Extra-Terrestre, entre milhares de outras referências.

As crianças na primeira temporada. Lucas, Mike, Onze e Dustin

A série foi muito eficiente na ambientação da década de 80, vemos as típicas famílias das cidadezinhas americanas, suas vidas, seus dramas, seus problemas nos colégios, bem ao estilo dos filmes de John Hughes. E não era só na estética, mas na própria sociedade que vive na pequena cidade rural fictícia de Hawkins, em Indiana. A paranoia da guerra-fria, que mostra alguns personagens preocupados com a ameça comunista, que veem os russos como vilões o tempo todo e ainda tem um pouco do problema de racismo, que o personagem Lucas sente de vez em quanto em forma de piada.

Winona Ryder é Joyce, a mãe do Will, o menino raptado

O enredo consegue nos prender com a história de Onze, interpretada muito bem pela jovem atriz Millie Bobby Brown. Ela é a estrela do show, interpretando uma menina que cresceu em um laboratório. Ela consegue passar aquela inocência de quem nunca teve uma infância de verdade fora das paredes da instalação. E durante as temporadas, ela mostrou várias facetas, de inocente, mas protetora na primeira, de criança mal criada ao mesmo tempo forte na segunda temporada. Mas sua personagem cresceu muito, enquanto fazia sua jornada para conhecer seu passado. Nunca se tornou chata. Na terceira temporada, mais madura, mesmo com aquela inocência, Onze se torna a personagem mais interessante da série.

As crianças vão crescendo. Onze é estrela, interpretada muito bem por Millie Bobby Brown

Muito bem escrita e dirigida pelos irmãos Duffer, Stranger Things é uma série família, onde o principal motivo para enfrentar os monstros do Mundo Invertido não é salvar o mundo, mas sim a família, não aquela da qual eles nasceram, mas àquela que eles escolheram. Como o xerife Hooper, interpretado muito bem pelo ator David Harbour. O típico machão dos anos 80, ele mostra ser um homem quebrado por um trauma familiar que encontra um sentido na vida ao adotar a pequena Onze. E sua interação com a ótima Winona Ryder faz o núcleo adulto da série bem interessante, visto que os outros não tem muito o que fazer na série, além de posar de família para os pequenos protagonistas.

Xerife Hooper (David Harbour) e Joyce tem química e um arco muito bom na série

Winona Ryder está muito bem como a mãe desesperada, mas decidida. Ela sofreu muito nas duas primeiras temporadas e se mostrou muito forte na terceira, com uma arco com o Hooper, que teve uma química muito forte. O melhor casal adulta da série, sem dúvida. As crianças são engraçadas, mas a principal é o Dustin, ele é o mais carismático. O pequeno ator Gaten Matarazzo é responsável pela cenas mais engraçadas da série. Quando ele decidiu na segunda temporada adotar um “Demo-cão”, essa foi a ação mais surtada do personagem, coisa que só uma criança faria.

Steve, Nancy e Jonathan, o trio do núcleo adolescente

E a série são delas, das crianças. Elas descobrem tudo sobre o Mundo Invertido, pois um de seus membros, o filha mais novo da personagem de Winona Ryder, o Will, acabou sequestrado pelo monstro deste universo sombrio. São eles que descobrem o que acontece, encontram com Onze, onde ela passa a fazer parte da turma, e quando finalmente se cruzam com os adultos, são as crianças que servem tanto de consultores, como segundo time para enfrentar os monstros. E tudo com a experiencia dos RPGs que jogam no porão da casa de Mike.

Novos personagens vão se juntando ao elenco durante as temporadas, como Robin (Maya Hawke), que se junta aos veteranos Steve (Joe Keery) e Dustin ( Gaten Matarazzo)

E não podemos deixar de falar da trilha sonora, que remetem diretamente aos anos 80, com as musicas de Madonna, Cindy Lauper e outros clássicos daquele tempo. Para os mais velhos, é impossível não se espelhar naquelas crianças, lembrando como era viver naquela época. Realmente, depois de um episódio, você acaba não ligando muito para as roupas esquisitas e cabelos ridículos que aparecem no filme. Afinal, na época era moda. Sua caracterização, ritmo, atmosfera, atuações, trilha sonora, direção, roteiro e homenagens a filmes do gênero da década de 1980 são o que torna a série perfeita.

O demagorgon, monstro do Mundo Invertido

Stranger Things é uma daquelas séries inspiradas que de tempos em tempos aparecem na TV. O Sucesso deve garantir a série, pelo menos, até a quinta temporada. Pois, depois de conhecer Hawkins e seus ilustres moradores, fica difícil não querer retornar para mais um combate entre os jovens heróis contra os monstros do Mundo Invertido.

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