The Terminator, no Brasil O Exterminador do Fututro, é um clássico da ficção científica, onde a mente criativa de James Cameron criou um universo surpreendente de viagens no tempo e ciborgues assassinos. Vamos fazer um breve resumo.

Em 2029 a humanidade foi quase extinta pelas máquinas, controladas por uma IA designada Cyberdyne, que provocou um ataque nuclear que quase dizimou toda a raça humana. Os sobreviventes foram jogados em campos de concentração, mas um único humano, que foi protegido durante todo esse tempo, se insurgiu e libertou outros, formando a base para a resistência. Com o tempo eles se tornaram uma ameaça às máquinas, então foram criados os CAs (caçadores assassinos), mas a luta começou a pender para o lado dos humanos. Então foram criados os Terminators (Exterminadores), modelos que utilizavam esqueletos ciborgues revestidos com pele sintética. Mas eram fáceis de serem descobertos. Então a guerra estava sendo vencida pelos humanos e a Skynet percebendo que não adiantaria mais matar o líder da resistência, consegue criar uma máquina do tempo para enviar um Exterminador para o passado para matar John Connor, ou melhor, sua mãe, antes dele ser gerado. O problema era que somente um organismo vivo poderia atravessar o “portal”. A solução para a Skynet era mandar um ciborgue, com endo-esqueleto ciborgue, mas revestido com pele humana para burlar esse problema. As máquinas tem sucesso ao enviar seu assassino, embora ele teve que ir nu e sem qualquer arma. Mas a resistência consegue invadir essa instalação e envia um soldado, Kyle Reese para deter o T-800 e salvar a raça humana.

Sarah na mira do Exterminador. Em 1984 ela era apenas um simples mulher

Essa é a premissa do filme, onde isso não é mostrado, mas explicado logo no início em legenda, além de outras informações durante o filme. Ele se passa todo em 1984, ano que o filme foi lançado e com ação incessante, diálogos inteligentes e rápidos, roteiro bem arramado, foi um dos melhores filmes de todos os tempos, sendo aclamado por público e críticos especializados, conseguindo 100% no agregador de críticas Rotten Tomatoes. Este filme praticamente lançou James Cameron ao posto de um dos maiores diretores de todos os tempos, além de ter levado Arnold Schwarzenegger ao estrelato. Mas apresentava também a mãe de John Connor, Sarah Connor, interpretada por Linda Hamilton.

Michael Biehn e Linda Hamilton. Sarah só queria fugir, não fazia ideia que seria a mãe do salvador da humanidade

Sarah em 1984 era só uma mulher comum, que trabalhava em uma lanchonete e dividia o apartamento com uma amiga. Ninguém poderia imaginar que ela seria uma lenda, que protegeu seu filho quando o mundo explodia, ao mesmo tempo que o ensinou a ser um guerreiro e líder tático. Nem ela mesmo, como ela diz em uma parte do filme. Se durante todo o filme, ela era apenas a mocinha em perigo, a construção de sua personagem, deixando de ser uma mulher “normal” daquele tempo, para a guerreira que era conhecida no futuro, foi bem lenta e aconteceu praticamente apenas nos momentos finais do terceiro ato. Interessante que se você vê o filme, mas não prestar atenção nos detalhes, não percebe que a verdadeira protagonista é Sarah. Você se deixa enganar até à morte de Resse, no final do filme, porque ela tem que ser salva o tempo todo pelo soldado. Mas após a morte dele é que fica evidente que ela estava mudando, começando a ser mais forte, mas bem sutilmente. Antes dos créditos subirem, ela aparece grávida e percebemos em seu semblante uma dor e preocupação pelo que estava por vir. Sabendo o que ela tinha que fazer, pouco ainda podíamos perceber no que ela estava se tornando.

Sarah passa o filme todo com carinha de medo

Mas contradizendo sua própria história de um jeito muito inteligente, James Cameron fez uma sequência que foi lançada em 1991, mas fez a história se passar em 1994, pois neste filme ele apresenta John Connor, o líder da resistência, mas com dez anos. A história original do Exterminador do Futuro teria dois ciborgues, o primeiro como foi apresentado ao filme, que iria ser destruído na metade da história, então outro viria para substituí-lo e seria feito de metal líquido. O problema é que a tecnologia desses efeitos especiais ainda não era possível, além de ser muito caro para o filme, então Cameron abandonou essa ideia. Mas com a evolução dos efeitos visuais, graças a ILM, a oficina de efeitos especias que pertencia a Geoge Lucas, criada em 1975 para o filme Star Wars – A Nova Esperança, James Cameron retornou a ideia do Exterminador de metal líquido, que ele chamou de T-1000, em uma nova história.

Robert Patrick como T-1000. Feito de metal líquido, era indestrutível

Dessa vez, a Skynet envia um novo Exterminador para matar, não Sarah Connor, mas o jovem Jonh, só que a resistência novamente envia um protetor para seu futuro líder. Cameron brinca com as expectativas do público, porque é Schwarzenegger que retorna como o T-800, o brutamontes idêntico do primeiro filme que faz que pensemos que ele veio novamente matar Connor e quando chega o outro personagem do futuro, franzino, acreditamos que ele será o protetor. Mas logo é mostrado que o T-800 é o protetor e o soldado franzino, interpretado por Robert Patrick, é na verdade o T-1000, o Exterminador de metal líquido.

Ambos chegam nus, mas fica sem explicação porque T-1000, que não tem uma pele humana real como o T-800, mas apenas copia a aparência de ter uma, conseguiu ultrapassar o “portal”. Ele nem precisava aparecer nu, já que quando ele revela ser um Exterminador, mostra que tirando a arma que pegou de um policial, tudo nele, suas roupas, calçados, cinto, é parte dele, aparentando ser essas coisas para seu disfarce. Ele poderia até vir com metralhadoras laser pelo tempo, então. Mas esse furo nem é mencionado pelo diretor durante o filme. Então, deixe estar.

Um furo que o roteiro não explica é como o T-1000, que não possui pele humana, apenas copia a aparência, conseguiu passar na máquina do tempo

Até o encontro com os Exterminadores, descobrimos que John mora com pais adotivos porque sua mãe, Sarah Connor, foi presa em um tipo de prisão psiquiátrica porque tentou explodir a empresa responsável por criar o sistema Cyberdane, a Skynet. E com isso, tudo aquilo que ele acreditava sobre o futuro e os Exterminadores ele considerou como delírios de sua mãe. Edward Furlong tinha 14 anos quando interpretou John, embora o personagem tivesse 10 anos, mas teve uma excelente performance. Ao contar essa história sobre como sua mãe foi presa e ele deixou de acreditar nela quando as autoridades dizem que ela era louca, foi de extremo talento, pois ele conseguiu passar a decepção e raiva naquele momento.

O salvador da humanidade, John Connor, uma criança que ganhava armas e facas da mamãe.

Então, quando finalmente Connor encontra os ciborgues e consegue fugir, com a ajuda do T-800, eles vão ao encontro de Sarah. Quando temos finalmente o vislumbre da mãe de John, vemos como ela mudou física e psicologicamente. Linda Hamilton mostra um corpo esquio e definido, com seu braços mais musculosos. E sua interpretação é muito diferente da mulher que era no primeiro filme. Ela agora é uma guerreira, lutadora e ao mesmo tempo psicologicamente instável. Bom, mas até aí, quem não ficaria se soubesse que em poucos anos o mundo ia acabar? Vemos que ela é determinada, focada na única coisa que importa, que é manter seu filho vivo, mesmo que ela tenha que morrer.

A dupla tentando libertar Sarah da prisão psiquiátrica. Ela já estava fugindo.

Nesses primeiros segundos que ela aparece, já vimos que ela evoluiu e que agora ela é a mulher de seu destino. Tanto que o T-800 não veio protegê-la como Reese, que se sacrificou fazendo, mas apenas ao jovem John. Ela prova em todo o momento que não precisa ser protegida, na verdade ela se prova tão ou mais apta a proteger o filho que o Exterminador de Schwarzenegger. Durante todo o filme vemos que este filme é da Sarah Connor, ela luta, atira, toma as decisões mais difíceis da película, ainda mais quando ela decide matar o homem responsável pela criação da Cyberdyne. Em uma sacada genial de James Cameron, para interligar o tempo entre os dois filmes, ele fez que a Skynet recuperasse o chip do primeiro Exterminador e fizesse que todo o trabalho do doutor Miles Dyson fosse baseado nele, assim criando os Exterminadores no futuro. Mas como ela é humana, não consegue finalizar o trabalho e matá-lo, em uma cena forte que mostrou o talento de Linda Hamilton e embora fosse a maior badass, ainda estava quebrada.

A imagem icônica da transformação da personagem. Ela era mais fodona que um Exterminador

Sarah Connor enfrentou o T-1000, chegou até a ser torturada por ele por alguns minutos, mas prevaleceu e mandou muita bala nele. Só não o destruiu, porque Schwarzenegger tinha que ser o herói a dar o último tiro. Mas mesmo assim, no final do filme, vemos que essa sempre foi a história de Sarah Connor, que de uma moça normal, atendente de lanchonete, se torna a lenda que foi a grande responsável pela sobrevivência da humanidade. Ela enfrentou dois Exterminadores, um mais avançado que o outro e sobreviveu e com méritos próprios. No final dos anos 80 e início dos anos 90, o mundo estava mudando sua visão sobre as mulheres e a industria de entretenimento, entre eles o do cinema, percebeu que precisávamos de mais heroínas. Não que elas não estivessem aparecendo antes, afinal outra heroína, a Ripley, apareceu em Alien – O 8º passageiro de 1979, mas você nem sabia que ela seria a única sobrevivente até o final do filme. Assim era a história de modo geral, as mulheres passavam a maior parte do tempo sendo salvas e terminavam as únicas sobreviventes, mas elas não tinham a força necessária para seguirem o filme todo sozinhas. Tanto que antes de filmar a sequência do Exterminador do Futuro, Cameron dirigiu a continuação de Alien O 8º Passageiro e só conseguiu o filme porque o Exterminador foi um sucesso. Aliens – O Resgate de 1986 foi um sucesso maior que o filme original, pois Cameron deixou o tom de filme de terro psicológico para transformar o filme uma mistura de terror com ação, praticamente um filme de guerra. E transformou Ripley em sua primeira Badass de verdade, com ela tomando a frente da ação e enfrentando tanto os Aliens quanto a Rainha Alien, um bichão de uns 6 metros de altura.

Mas o que torna Sarah e não Ripley a maior heroína dos filmes de ação de todos os tempos era que Sarah lutava pela humanidade, mais especificamente por seu filho. Estava ali o dever de protegê-lo pelo bem do mundo ao mesmo tempo que queria protegê-lo por amor ao filho, mesmo que ela tenha passado metade do filme tentando se mostrar afastada. A determinação e força, somada a ótima caracterização de Linda Hamilton, faz de Sarah Connor, não a primeira, mas a maior interpretação do empoderamento feminino. Todos as heroínas que vieram depois, devem agradecê-la. E ao Cameron, que sabe contar histórias, principalmente de mulheres fortes.

A verdeira Exterminadora é Sarah Connor
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