Antes mesmo da estreia de Capitão América: O Soldado Invernal, sabendo do potencial dos Irmãos Russo, a Marvel Studios já tinha fechado um acordo com eles para a continuação. E depois de chegar ao cinema, todos nós nos impressionamos com o filme e é considerado um dos melhores (se não o melhor) filmes do MCU. E quando parecia que não teria como superar o segundo filme do Capitão, em 2016 a Marvel nos dá Capitão América: Guerra Civil, que além de impulsionar a história de Steve Rogers, traria para o MCU dois importantes personagens, e também definiria a dinâmica das relações de vários personagens que não seriam resolvidas até Vingadores: Ultimato.

Toda a equipe de Capitão América: Soldado Invernal foi contratada para Capitão América: Guerra Civil, em janeiro de 2014, ou seja, três meses antes da estreia do filme Soldado Invernal. Não foram só Anthony e Joe Russo, os diretores do filme, mas também os roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely, que acabaram sendo os arquitetos de Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato, os maiores filmes da MCU, que fecharam a Saga do Infinito.

A Guerra Civil dividiu os heróis. O time do Capitão América

A equipe começou a trabalhar em Capitão América 3, que originalmente teria a história sendo uma continuação mais direta do Soldado Invernal, onde o escopo principal seria o aprofundamento das ramificações da relação deste dois personagens. Mas tudo mudou quando Kevin Feige sugeriu que a história do filme fosse baseada em Guerra Civil e, com o desafio lançado, os roteirista se empenharam nela, mas não deixando de fora as ideias da história original.

Adaptar o arco famoso dos quadrinhos, exigiria muitos personagens da MCU e também uma renegociação com Robert Downey Jr. O ator foi abordado sobre participar do filme, onde sua participação seria menor, ele só filmaria durante três semanas, no máximo. A ideia dos roteiristas era uma história mais centrada no Capitão, mas Downey rebateu que Stark deveria ter maior participação, um papel mais importante na trama. Kevin Feige adorou a ideia, mas o notoriamente mão-de-vaca e cabeça-dura CEO da Marvel Entertainment, Ike Perlmutter, recusou. Como Downey pediu um papel maior, e com isso, um salário maior, Perlmutter exigiu que os roteiristas eliminassem o Homem de Ferro da história.

Time do Homem de Ferro

Com isso, os primeiros dias escrevendo, os roteirista não sabiam se poderiam ou não usar o Homem de Ferro, então o diretor Anthony Russo chegou a pensar em adaptar uma história das HQ Capitão América, Bomba da Loucura. O terceiro ato do filme seria essa bomba que transformaria as pessoas em bersekes e elas seriam o grande desafio final do Cap e seus aliados. Nada muito a ver com Guerra Civil. Essa história seria adaptada para Guerra Civil somente para fazer o Capitão lutar contra seus amigos.

Neste ínterim, Kevin Feige continuava negociando com os agentes de Downey, mesmo com a recusa de Perlmutter de dar ao ator o co-protagonismo. Para Feige, era fundamental ter o papel do Homem de Ferro, pois era importante para o seguir este roteiro para Guerra Infinita, pois as consequências desses eventos e a destruição dos Vingadores aumentariam as dramáticas apostas quando Thanos finalmente chegasse.

Robert Downey Jr quase ficou de fora, porque o Ike Permultter, presidente da Marvel Entertainment o achava caro demais, mas valeu a visão de Feige e dos Irmãos Russo.

Finalmente chegou um ótimo acordo para Downey, que receberia US$ 40 milhões, mais um adicional se Guerra Civil ultrapassasse Soldado Invernal nas bilheterias. Downey foi oficializado em outubro de 2014 e poucos dias depois foi a vez de Chadwick Boseman ser apresentado como o Pantera Negra, que tinha um contrato não somente com este filme, mas um filme-solo, além de Vingadores: Guerra Infinita parte 1 e parte 2 ( Nesta época os filmes ainda tinham esse nome) que seriam dirigidos pelos Irmãos Russo. Agora os fãs perceberam que Capitão América: Guerra Civil era uma preparação para a Guerra Infinita. Na verdade, este filme do Capitão era visto como um Vingadores 2.5.

O elenco continuou crescendo, com Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Scarlett Johansson, Jeremy Renner e Don Cheadle, repetindo seus papeis, além da adição de Daniel Brühl como Zemo, aqui um soldado de Sokovia, em vez do barão nazista como nos quadrinhos. E Vespa de Evangeline Lilly estava nas primeiras versões do roteiro, de acordo com Feige. A personagem não apareceu, pois foi para preservá-la, ela não tinha ainda usado o uniforme e Feige disse que não seria bom para a personagem não ser apresentada de forma apropriada, então era melhor deixá-la para a fase 3.

Guerra Civil introduziu Pantera Negra ao MCU

Trabalhando a pleno vapor, os Irmãos Russo estavam desenvolvendo a produção para iniciar na primavera americana de 2015, enquanto nos bastidores, uma intensa negociação estava em curso para colocar um personagem surpresa na história: o Homem-Aranha. Essa história você pode ver no artigo clicando aqui.

Depois do lançamento de O Espetacular Homem-Aranha 2 da Sony, em 2014, Kevin Feige e Ike Perlmutter estavam fazendo lobby junto à Sony, para uqe eles ajudassem na produção do novo filme do Homem-Aranha e que o herói aparecesse em Guerra Civil. Enquanto a Sony esta hesitante, Kevin Feige tentava chegar a um acordo com Amy Pascal enquanto Perlmutter só pensava que um acordo deveria beneficiar apenas a Marvel, com o lucro do filme do Homem-Aranha sendo 50% deles e que o lucro de Guerra Civil fosse apenas de 5% para a Sony.

Em Guerra Civil o sonho dos fãs se realizou: Homem-Aranha estreia no MCU

Enquanto mais se aproximava a data de lançamento, mais parecia que o acordo não vingaria. Nesta época, a Sony se voltava para um filme do Sexteto Sinistro como o salvador da pátria para o Homem-Aranha, visto que a versão de Marc Webb não agradou críticos e fãs e mesmo tendo sido anunciado que O Espetacular Homem-Aranha 3 foi adiado apenas para dar lugar ao filme do Sexteto, na verdade era um forma de apresentar um novo Aranha.

E justamente quando Drew Goddard tinha terminado seu primeiro rascunho, hackers invadiram os servidores da Sony e liberam uma enorme quantidade de e-mails ao público, que ficou sabendo das negociações. Dessa forma, um sonho que todos os fãs tinham em ver o Escalador de Paredes no MCU, foi o grande motivo que a Sony acabou tendo que voltar a mesa de negociação com a Marvel, visto a pressão que ficou sobre ela.

Em 9 de fevereiro de 2015, em um acordo inovador, um novo Homem-Aranha iria estrear no MCU em 2016, em Capitão América: Guerra Civil, lançado pela Disney, e esse mesmo Homem-Aranha teria um filme lançada pela Sony, produzida pela Marvel em 2017. O acordo financeiro era simples, enquanto os filmes-solo do Aranha eram lançados e todo o lucro era da Sony, a Marvel Studios sempre usaria o Cabeça de Teia nos filmes da Marvel Studios e pagaria zero por isso. Além disso, o pagamento anual que a Marvel tinha que fazer à Sony para manter os lucros de brinquedos e merchandising para o personagem do Homem-Aranha na Marvel seria reduzido de US$ 35 milhões se o novo Homem-Aranha produzido pela Marvel arrecadasse mais de US$ 750 milhões (o que acabou acontecendo). Além disso, os dois estúdios têm a satisfação de fazer um grande filme do Homem-Aranha, dando ao personagem um destaque adicional em vários filmes do MCU.

Homem-Aranha brilhou no filme, com uma luta fantástica contra o Capitão e muito fiel aos quadrinhos

Mas o acordo só foi oficializado dois meses antes do fim das filmagens de Guerra Civil, o que foi considerado um trabalho muito difícil para os diretores. Afinal foi um longo processo de negociação, que eles tinham o personagem no roteiro e quando foi oficializado, finalmente ficaram aliviados, pois, para eles, teriam que destruir a história para tirá-lo do roteiro.

Com o acordo fechado, a Marvel teve que correr com a escalação do herói, pois não queriam errar na escolha, mas não tinham muito tempo para isso. A Marvel queria um ator bem jovem, pois Feige já havia dito que seu Homem-Aranha seria um adolescente de 15 ou 16 anos, o que daria uma nova dinâmica ao MCU, visto que a maioria dos personagens estava na casa dos 40 anos.

No final de abril de 2015, uma lista de nomes que incluíam Nat Wolff , Asa Butterfield , Timothee Chalamet , Liam James e, claro, Tom Holland para o papel de Peter Parker. Em maio, a Marvel e a Sony estavam testando os atores com Downey e Evans, e a escolha ficou entre Butterfield e Holland, com este ficando com o papel em 23 de junho e começando a filmar poucos dias depois.

Capitão América: Guerra Civil se tornou um dos primeiros filmes a usar as câmeras digitais 2D da IMAX, a Alexa 65, que foram usadas para capturar a sequência de lutas do aeroporto. As filmagens foram de abril de 2015 a 22 de agosto, e enquanto a produção foi realizada em Atlanta, na Geórgia, outros locais de filmagem incluíram Alemanha, Porto Rico e Noruega.

Embora tivesse muitos heróis no filme, a história era centrada na amizade de Steve Rogers e Bucky

A história do filme termina de um modo muito diferente como os filmes de heróis terminaram, com uma intrigante crise familiar que seria um dos pontos mais importante de Vingadores: Guerra Infinita. Os Irmãos Russo não queriam que fosse mais uma história de “os heróis salvam o dia”, a intenção sempre foi que eles queriam subverter o gênero. Na verdade foi uma grande aposta, que os executivos da Disney não estavam querendo bancar. Um terceiro ato em que os heróis brigavam entre si e saiam sem resolver suas diferenças eram demais para os engravatados, mas Feige e a equipe do filme se mantiveram firmes e terminaram o filme exatamente assim. Para Feige, se fosse diferente, o filme seria totalmente destruído.

O filme termina com a luta entre o Capitão e Homem de Ferro e o racha na comunidade super-heroica, que só foi resolvida em Vingadores Ultimato

E Feige provou que estava certo novamente. Crítica e público adoraram o filme, e Capitão América: Guerra Civil estreou nos cinemas em 6 de maio de 2016 com sua bilheteria no primeiro fim de semana com US$ 179,1 milhões e críticas positivas. Isso posicionou a Guerra Civil como, na época, a terceira maior abertura para um filme de MCU, atrás apenas dos dois primeiros filmes dos Vingadores. O filme foi um sucesso não apenas em casa, mas também no exterior, chegando a US$ 1,1 bilhão em todo o mundo e sendo o filme de maior bilheteria mundial de 2016.

Como dito no início do artigo, este filme foi visto como Vingadores 2.5, mas após Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato, se mostrou uma importante virada para o MCU, pois foi as diferenças entre Tony e Steve, que dividiu os heróis, que foi o coração da história dos filmes que fecharam a Saga do Infinito.

Enquanto Capitão América: Guerra Civil apresentava novos personagem em uma exitante história, a Marvel finalmente entrava no seu próximo filme que teve como objetivo moldar o próprio tecido do universo cinematográfico da Marvel, o Doutor Estranho.

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