A nova série de She-Ra é muito diferente de sua versão dos anos 80. Afinal, nesta primeira versão, tanto história quanto personagens eram totalmente rasos e descartáveis, para dizer o mínimo. A nova versão da Netflix é muito diferente. A animação tem um traço mais cartunesco, diferente dos anos 80 que era mais real e sexualizado, e isso foi amenizado na nova série, onde Adora e os seus aliado são adolescente. E não é uma série descartável, tem um contexto mais atual.

As duas primeiras temporadas se aprofunda na origem de She-ra e no mundo de Etéria, as guerras travadas contra a Horda de Hordak e as relações de Adora com Felina e Sombria, além de sua mudança de lado nesta guerra, afinal ela estava sendo treinada para ser a capitão do exército da Horda. O relacionamento é trabalhado de forma que ele seja natural e orgânico. Felina e Adora são praticamente como irmãs e a saída de Adora faz felina ficar obcecada em destruí-la, ela vê esse ato como uma traição de Adora, não para a Horda, mas para com ela, pois, se sentiu abandonada pela irmã. Afinal, durante anos, Felina sempre viu Adora ser tratada melhor que ele por Sombria (que era como uma mãe severa com elas) que sempre teve Adora como a filha preferida. Essa relação mostra o quão profunda foram as marcas deixada pela saída de Adora.

Felina se recente com Adora por ter saído da Horda e abandonado sua amizade

E a série fala sobre relacionamento, amizades e mudanças. A busca por suas origens é um dos motores que fazem a série caminhar, pois Adora se sente presa ao destino, que parece sempre controlar sua vida. Ela não desejou ser a capitão da Horda, não desejou se tornar She-Ra e a busca por sua identidade a faz ser imprudente e arriscar mais do que talvez possa aguentar.

Inseparáveis, Felina sempre se sentia preterida em favor de Adora

A amizade da heroína com Cintilante e Arqueiro é forte e verdadeira, onde foi sendo trabalhado durante a primeira temporada de forma bem orgânica. E ambos os personagens vão crescendo durante a série, principalmente Cintilante, que é uma princesa que é sempre tolhida pela sua mãe, a Rainha de Lua Clara. Mas como toda adolescente que em silêncio deseja a liberdade para crescer, ela, durante a primeira temporada, consegue se impor e provar, mesmo que sendo enfrentando a mãe e sofrendo muito as consequências de seu ato, ser uma general determinada e líder natural do exército de princesas.

Na verdade todas os personagens são bem trabalhados, mesmos os vilões, com suas histórias pessoais. Nada é gratuito e tudo é para completar uma história maior. É realmente um bom trabalho com vários personagens sem deixar nenhum somente para fazer figuração, mesmo que muitos deles tenham pouco tempo e estejam lá apenas para apoio.

Sorpia deste o início tem um amor platônico por sua amiga, que não a corresponde

Embora She-Ra seja a heroína que é predestinada a salvar Etéria, é Adora a verdadeira protagonista. São seus medos, erros, acertos, determinação que levam a história adiante, onde ela precisa descobrir quem é, sua origem e achar seu papel no mundo. A história da She-Ra, sua ligação com Etéria e a Horda foi sendo mostrado aos poucos durante as duas temporadas. Mara foi a última She-Ra (uma She-Ra aparece a cada mil anos para lutar contra as forças do mal) e tudo leva a crer que ela é responsável por Etéria ser um mundo perdido no espaço. Nisso, Adora tem medo de se tornar um problema como ela.

Os personagens são bem interessantes, como a princesa Entrapta

A terceira temporada se aprofunda mais na história de Mara e na necessidade de Adora descobrir suas origens, como também na sua relação com Sombria e Felina, com sua antiga irmã mais obcecada e tomada pelo rancor, pois mesmo se tornando a capitã da Horda e tendo muitas vitórias, nunca foi reconhecida e sua raiva continua aumentando. Felina se tornou uma das personagens mais interessantes nesta série e tem constantemente evoluído, mostrando que embora seja má, não é sem motivo.

E a série, além de se aprofundar na história do universo de She-Ra, não se afasta de temas atuais, como inclusão em várias vertentes. Há personagens de várias etnias, a Cintilante não tem o corpo de modelo, na verdade tem um corpo bem comum, um pouquinho gordinha, além de relações LGBT. Os pais do Arqueiro foram mostrados na segunda temporada e eram um casal de homens. E Scorpia, a tenente de Felina, deste o início se mostra muito amiga e fiel a capitã e durante toda a série vemos ela evoluir e mostrar seus sentimentos para a amiga. São vários os momentos que ela tenta mostrar que está apaixonada por Felina, seja de modo sutil ou nem tanto. Felina a trata sem muito carinho, as vezes se deixa mostrar um pouco de reciprocidade. Mas na terceira temporada ela começa a mostrar sinais que está começando a ter sentimentos pela Scorpia, mas sua obsessão em destruir Adora se mostra mais importante que o amor que ela poderá sentir por sua amiga.

A série não foge de assuntos polêmicos, ao apresentar um casal LGBT

E Hordak, que na primeira versão era a caricatura do vilão carnavalesco, aparece pouco nas duas primeiras temporadas, mas já mostrando que é um vilão muito mais interessante, mais introspectivo, altivo, mas com uma história por traz de sua vilania. Na terceira temporada ele ganha mais destaque e vemos ele evoluir e se humanizar, graças a improvável amizade com a princesa Intrepta, outra personagem carismática, que convence o vilão a se abrir e contar sua história. Hordak mostra que não é um personagem unidimensional, na verdade tem várias camadas e um motivo para o que está fazendo, mesmo que não seja bom para Etéria.

Hodark possui uma história que até faz o expectador ter simpatia por ele, mesmo se mostrando um vilão

Na terceira temporada, She-Ra se mostra ser uma série que não tem medo de ousar e evoluiu para não ser o mais do mesmo, como sua versão oitentista, mostrando, a partir da visão de Adora, o poder da amizade, as consequências do rancor e ódio, o empoderamento feminino, as dificuldades das relações das famílias formadas com laços forçados, a inclusão de minorias. Esta temporada deixa um gancho para a quarta temporada que a guerra terá outro rumo e que o pior ainda estará por vir. E, com a história vem evoluindo, com certeza, será muito interessante.

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