O Quarteto Fantástico foi a primeira revista da Marvel moderna, em 1961, dando o pontapé inicial a nova forma de fazer histórias em quadrinhos. Saindo da mente de Stan Lee e Jack Kirby, o Quarteto era revolucionário para a época pois apresentava o grupo de heróis não dessa forma, mas como uma família, o que lhes valeu a alcunha de a primeira família da Marvel. A revolução começou com eles pois eram totalmente diferente do arquétipo da época. Eles eram exploradores, eram uma família, com o líder, Reed Richards, noivo de Sue Storm, que era irmã mais velha de Johnny Storm e ainda tinha o amigo Ben Grimm. E até a aparência deles era diferente, com Ben Grimm mais parecido com um monstro do que com um herói parecido com um deus grego, como era comum naqueles tempos. Até os uniformes, que Stan Lee tentou evitar, mas acabou cedendo, eram realmente uniformes, pois todos usavam igual e não possuíam máscaras, ou seja, eles não tinham identidades secretas. E como toda família, eles brigavam entre si.

As cem primeiras histórias da primeira família Marvel foi produzida pela dupla Lee e Kirby e pavimentou o universo Marvel

Durante as cem primeiras edições as histórias foram feitas pela dupla e foram onde conhecemos Galactus, o Surfista Prateado, Doutor Destino e sagas que são importantes até hoje e pavimentaram o que seria a Marvel deste então. Mas depois da saída da dupla, foi a fase de John Byrne a mais importante para o grupo.

John Byrne veio do advento da fase dos quadrinhos em que os fãs passaram a trabalhar no ramo, no início dos anos 70. Ele desenhou as histórias do Punho de Ferro, Homem-Aranha, X-Men, só para citar alguns. Mas com X-Men, junto com o escritor de Punho de Ferro, Chris Claremont que ele se tornou uma estrela. Como co-autor das histórias, Byrne se mostrou um escritor tão bom quanto desenhista e fã da Era de Ouro dos Quadrinhos, era visível que sua inspiração era Jack Kirby. Com suas ideias, ajudou os X-Men a se tornarem um fenômeno dos quadrinhos e tornou a revista dos Mutantes a número 1 em vendas da Marvel. Ao sair da revista dos X-Men, ele foi para o Quarteto Fantástico, como escritor e desenhista, em 1981. Em seus cinco anos à frente da primeira família da Marvel, ele atualizou, mudou e evoluiu muito o grupo, do qual sua importância só é comparada com a fase de Stan Lee e Jack Kirby.

Byrne assumiu o Quarteto e elevou o nível das revistas

Antes dessa fase, Byrne já tinha trabalhado na revista do Quarteto, mas apenas como desenhista e seu desenho emulava um pouco os artistas da época. Mas quando assumiu a revista depois dos X-Men, Byrne já estava com seu traço fantástico no auge e as ideias afiadas. Durante o tempo que estava no comando, a primeira coisa que Byrne mudou foi o codinome de Sue Storm de Garota-Invisível para Mulher-Invisível. Também a vez deixar de ser a mocinha que sempre precisava ser salva pelo marido Reed Richards, o Sr. Fantástico, para ser o membro mais poderoso e com personalidade mais guerreira. Até mesmo na ausência dele, ela chegou a ser a líder do Quarteto. A evolução dos personagens foi total, como Johnny, o Tocha Humana deixando de ser um garoto inconsequente e amadurecendo, mesmo mantendo aquele jeito brincalhão. Bem Grimm, o Coisa, passou a ser aceitar mais como o Coisa, mas Byrne não deixou de se aprofundar nos seus dramas e até finalmente apresentou a tão falada tia Petúnia, que veja, foi uma surpresa enorme. Reed Richards também evoluiu, mais Byrne também aproveitava muito a personalidade de cientista do Sr. Fantástico até para deixa-lo um pouco mais deslocado fora desse ambiente. A entrada de outros personagens enriquecia as histórias, mas Byrne trouxe de volta muitos personagens clássicos e um que foi realmente tão bem trabalhado quanto a Mulher-Invisível foi o Doutor Destino.

Byrne manteve o que era do canone do Quarteto, as brigas familiares, os vilões clássicos. E transformou a Mulher-Invisível na personagem mais poderosa e guerreira dos grupo

Victor Voom Doom acabou ganhando um ar bem “monárquico”, com uma posse inglesa, mesmo sendo um vilão. Byrne definiu sua personalidade como um monarca que tinha um código moral, mesmo distorcido e um rei justo, mesmo que severo com seu povo. Na verdade, na fase de Byrne, onde Doom já tinha perdido seu trono na Latvéria, descobrimos que o povo amava-o e que o país fictício só se tornou próspero sob seu comando. Embora mesmo na época de Lee e Kirby já ter colocado o Doutor Destino como um dos vilões mais importante da Marvel, foi com Byrne que ele ganhou uma personalidade mais sofisticada e passou a usar mais a inteligência que a força. Não que não fosse assim antes, só se tornou mais acentuada. Byrne também deu mais destaque a Galactus, que após ter sido derrotado em uma batalha, acaba mostrando que ainda residia um pouco de humanidade em si. A aventura em questão foi muito interessante, pois após a ajuda dos Vingadores, Galactus é derrotado e enfraquecido, e então ele começa a morrer. O Sr. Fantástico, no mais puro altruísmo, fala a todos os heróis que precisa salvá-lo, mesmo com os protestos do Homem de Ferro, que avisa que após ele ser salvo, irá tentar “comer” o planeta novamente. Mesmo assim, eles ajudam Reed e Galactus é salvo, mas realmente diz que ou o matam e acabam com sua fome ou ele devora o planeta. Reed ainda está pensando em outra solução, mas a namorada de Johnny, Frankie Rayes, se oferece como arauto do Devorador de Mundos, assim como fez o Surfista Prateado, para salvar seu planeta. Com a oferta aceita, Galactus parte para o espaço prometendo que a Terra nunca mais o temerá, e diz que, aqui na Terra, ele encontrou amigos. Byrne nesta história humaniza o semi-deus cósmico apenas mostrando que ele pode sentir algum sentimento.

Byrne evoluiu muito os vilões clássicos do grupo, principalmente Doutor Destino e Galactus, que teve aventuras cósmicas. Na fase de Byrne, ele chegou a ficar mais humanizado.

Muitas edições depois, Byrne voltaria a esta história para mostrar as consequências de Reed ter salvado Galactus na história O Julgamento do Sr. Fantástico. Uma ótima história, onde mostra como Byrne sabia como prender o leitor e também todo seu talento narrativo, isso sem falar em seus desenhos, que continuavam ótimos. E Byrne aproveitando a saga Guerras Secretas, substitui o Coisa pela Vingadora Mulher-Hulk. Byrne nunca escondeu que sempre adorou a personagem e então a trouxe para o grupo. No tempo que esteve no Quarteto, Byrne foi definindo melhor a personalidade da heroína, ao mesmo tempo que aproveitava sua sensualidade para contar histórias hilárias, como quando ela foi fotografada de topless e teve que correr atrás do fotógrafo sem escrúpulos que queria lançar as fotos em sua revista proibida pra menores de 18 anos. A Mulher-Hulk, mostrando que não era como seu primo, tentou tanto como heroína, como advogada deter a publicação. Foi uma história hilária, que mostrava que Byrne sabia fazer tanto ficção-científica quanto comédia.

Fã da personagem, Byrne trocou o Coisa pela Mulher-Hulk

Byrne sempre foi fã dos clássicos de Stan Lee e Jack Kirby, por isso ele trouxe muitos dos personagens do Quarteto de volta e até, por um tempo, fez o Coisa voltar a ter a sua primeira forma, ao mesmo tempo que fez o grupo voltar a ser um de exploradores. Em uma história em várias edições, o Quarteto estava explorando a Zona Negativa, um universo de anti-matéria. Houve várias histórias lá, enquanto, em sua ausência, o Aniquilador, um inimigo do grupo que pertencia à Zona Negativa, aproveita e vinha à nossa dimensão e tenta destruir a Terra. Depois de várias edições, onde teve aventuras bem intimistas, o Quarteto, com a ajuda dos Vingadores deste lado, acabam retornando. O retorno foi uma boa desculpa de Byrne para dar uma atualizada no uniforme do grupo, que sempre foi azul com gola, cinto, luvas e botas pretas e o azul passou a ser preto, enquanto as partes pretas passaram a serem brancas.

Em 75 edições, Byrne misturou o clássico com o novo, mostrando com era um ótimo contador de histórias

Após 75 edições, Byrne não estava mais entusiasmado e mesmo, nas últimas edições deixando os desenhos para o artista Jerry Ordway, ele acabou saindo e foi convidado para ser o responsável pela reformulação do Superman, em 1986, depois de Crises nas Infinitas Terras da DC. Esta fase comandada por Byrne é considerada um clássico moderno, com histórias recheadas de ficção científica, histórias dramáticas, comédias, além de atualizar os personagens, não tem paralelo até hoje (excluindo a fase Lee e Kirby) com nenhuma outra época destes 58 anos de criação do Quarteto. Não que as fases posteriores tenham sido ruins, pelo contrário, mas nenhuma foi tão importante quanto a de Byrne, pois artista e personagens tiveram o casamento perfeito.

Doutor Destino ganhou um ar mais nobre e uma história digna, mostrando que embora usasse métodos condenáveis, ele não fazia por egoísmo ou sede de poder.
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