A Marvel Studios teve seu primeiro grande risco quando lançou Thor em 2011, pois era diferente do senso “mais pé no chão” tecnológico que começou o MCU com o Homem de Ferro de 2008. Mas exatamente, Thor era a figura mais problemática dos filmes da Marvel. Os filmes que acabaram sendo considerados mais erros que acertos, como o Incrível Hulk e Homem de Ferro 2, fizeram a Marvel, em vez de insistir nestes erros, eles acabaram aplicando discretamente o que aprenderam em fazer aqueles filmes em suas futuras produções. Mas mesmo depois de Vingadores: A Era de Ultron, Thor ainda era um personagem carente de personalidade. Em Thor, ele era uma figura Sheakesperiana, em Os Vingadores, um irmão preocupado com uma habilidade para gracejos. Em A Era de Ultron, ele era um sujeito que gostava de banhar-se em poços sobrenaturais. Em Thor: O Mundo Sombrio era excessivamente dramático, que dividiu o público. Então quando chegou a hora de fazer Thor 3, a Marvel decidiu reiniciar o Deus do Trovão em um filme totalmente diferente. No processo – e com a ajuda de uma séria mudança organizacional na Marvel – eles abriram caminho para uma narrativa ainda mais ousada. Esta é a história de como Thor: Ragnarok nasceu.

Em Thor Ragnarok, o Hulk brilha mais uma vez

Quando o primeiro filme do Thor foi criado, o tom foi pensando em Sheakespeare, tanto que o diretor Kenneth Branagh foi o escolhido para o comando do filme. E devemos levar em consideração tanto a representação do personagem no MCU quanto a trajetória da carreira de Chris Hemsworth. O diretor conseguiu fazer os paralelos da história do filme às obras de Sheakespeare, dando uma namorada humana e usurpação do trono, mas o personagem era muito “rígido” no final do filme.

Já em Os Vingadores, Joss Whedon trouxe para a superfície a sensibilidade cômica inata de Hemsworth, o que resultou em resultados espetaculares, mas o personagem ainda era fundamentado no drama do irmão vilão. Em A Era de Ultron, o personagem acabou servindo mais para expor as Pedras do Infinito e abrir a história das Pedras para as futuras sequências. Mesmo assim, o excelente timing cômico de Hemsworth brilhou e, fora do MCU, ele estava ansioso para contar mais piadas.

Karl Urban e Cate Blanchett, como Destruidor e Hela, duas ótimas interpretações

Férias Frustradas de 2015 foi o filme que apresentou pela primeira vez uma representação genuinamente cômica de Hemsworth e mesmo tendo uma participação pequena no filme, causou uma boa impressão. No ano seguinte, o ator surpreendeu todos em aceitar fazer parte de Os Caça-Fantasmas, um remake protagonizado somente por mulheres, no qual ele faz o papel de apoio, um secretário idiota. Mesmo sendo um filme bem ruim, Hemsworth brilhou com uma interpretação hilária, que o público e a crítica acabaram curtindo.

Enquanto isso, a Marvel preparava um novo filme de Thor, com a colaboração de Hemsworth. Um filme que iria retrabalhar o Deus do Trovão em um aventureiro amável em vez do Deus carrancudo.

Esse filme fez Hesmoworth finalmente entregar o melhor Thor de todos os tempos

O trabalho de Thor 3 começou oficialmente em janeiro de 2014, com o escritor de Thor: O Mundo Sombrio, Christopher Yost, e o ex-executivo da Marvel Studios, Craig Kyle, contratados para escreverem o roteiro. Kyle trabalhou anteriormente como vice-presidente sênior de produção e desenvolvimento da Marvel, produtora executiva do O Mundo Sombrio, mas enquanto o filme foi um sucesso nas bilheterias e obteve críticas bastante positivas, sua reputação diminuiu rapidamente quando foi seguida por filmes superiores como Capitão América: O Soldado Invernal e Guardiões da Galáxia.

Em outubro de 2014 a Marvel anunciou que o novo filme do Deus do Trovão seria chamado de Thor: Ragnorak, referindo-se a uma história de Thor que faz alusão ao Ragnorak, o apocalipse dos deuses nórdicos. A anúncio foi feito junto ao que falava que Vingadores teria uma história dividida em duas partes: Guerra Infinita parte 1 e 2. Mais tarde, os filmes foram rebatizados em Guerra Infinita e Ultimato. A Saga Vingadores: Guerra Infinita, levou muitos a acreditarem que Ragnarok poderia servir como um precursor obscuro do grande evento cinematográfico que estava por vir, afinal o evento do fim dos deuses também era o fim de todas as coisas, inclusive a Terra.

Jeff Goldblum foi outro ator que brilhou com seu Grã-Mestre

No verão de 2015, embora o desenvolvimento estivesse a pleno vapor, um diretor ainda não tinha sido escolhido, mesmo com Hemsworth e Tom Hiddleston já tendo assinados para co-protagonizarem o filme. Mas em outubro tudo mudou com a contratação de Taika Waititi para a direção. Conhecido mais pelos filmes Boy e What We Do in the Shadows, Waititi tinha uma sensibilidade cômica que era muito estranha a Thor até aquele ponto. Ficou claro que a Marvel estava pensando diferente de tudo que tinha feito até aquele momento e de maneiro bem mais ousada do que tinha feito em qualquer filme do MCU.

Tessa Thompson entregou uma Valquíria carismática e teve uma ótima química com Hemsworth

Mesmo tendo contratado Yost e Kyle para escrever Thor 3 em 2014, a Marvel ainda não tinha fechado a história. O presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, explicou em entrevistas, que eles chegavam com dez ideias e jogavam para a equipe criativa e daí eles vinham com uma história. De todos, foi Waititi que apresentou a melhor e mais original.

Enquanto estavam em discussões sobre para onde levar o filme, foi a inclusão do Hulk que fez tudo andar. Feige explicou que queria fazer algo totalmente diferente com o Thor e a união dele com um outro personagem seria essencial para a história. Pensaram em vários personagens, entre eles Bill Raio Beta, Balder e tiveram ideias inicias sobre a Valquíria, mas nada estava funcionando, até que finalmente pensaram no Hulk de Mark Ruffalo.

A ideia de acrescentar o Hulk foi na época que A Era de Ultron estava em pós-produção e Feige disse a Whedon, quando viu o final em que o Hulk estava indo embora no Quinjet, que ele não poderia sugerir que o Gigante de Jade estava indo para o espaço. Mas quando o filme do Thor estava sendo feito, ele falou com Joss sobre a ironia de Hulk está no espaço.

Mark Ruffalo foi outra ótima adição ao filme

Quando Waititi assinou para dirigir, o filme estava com a data de lançamento próxima. Cate Blanchett foi contratada para ser a irmã de Thor, Hela, em dezembro e ao mesmo tempo Stephany Folsom ( Toy Story 4 ) foi contratada para trabalhar no roteiro, que por  causa de um decisão bizarra da WGA, não foi creditada.

Eric Pearson foi contratado para continuar trabalhando no roteiro, e até Waititi disse que ajudou um pouco. Todos os envolvidos estavam essencialmente tentando reiniciar o personagem e a franquia.

Waititi se baseou no clássico de John Carpenter, Os Aventureiros do Bairro Proibido, com Kurt Russel e Thor era o “herói que queria seu caminhão de volta”. Quando Person assumiu o roteiro, a intensão era fazer um romance entre o Deus do Trovão e Valquíria, mas acabou mudando de planos, visto que não estava dando certo e perceberam que eles teriam uma cumplicidade, mas como aliados e não amantes.

O sempre ótimo Tom Hiddleston faz Loki achar a redenção

Em 4 de julho de 2016, oficialmente começou a filmagem de Thor: Ragnorak na Austrália, mas antes de começar e também de derrubar o cenário de Doutor Estranho, Waititi fez lobby para que ele fizesse uma cena entre Thor e o Doutor Estranho ( Benedict Cumberbatch ) que se encaixaria muito bem em Rangarok e acrescentaria algum tecido conjuntivo entre os dois filmes. A cena funcionou tão bem que um trecho foi usado como uma cena pós-créditos para o filme do Doutor, enquanto as cenas completas foram colocadas em Thor: Ragnarok .

O processo de produção de Thor: Ragnarok  foi único para grande parte do elenco, já que Waititi se gabou de que 80% do filme foi improvisado. E enquanto o filme ia tomando forma, nem o diretor sabia exatamente quanto tempo de duração teria o filme. No inicio ele chegou a fazer uma versão de 2h 40 min e após a Comic-Com, ele baixou para 100 minutos, que ele achou que seria o ideal, mas acabou que a versão final ficou em 2h 10 min.

Taika Waititi dirige e também interpreta Korg, o hilário coadjuvante que rouba a cena

Thor: Ragnarok foi lançado nos cinemas em 3 de novembro de 2017, e foi um sucesso estrondoso. Conseguiu em seu primeiro fim de semana impressionantes US$ 122 milhões e acumulou US$ 854 milhões nas bilheterias mundiais, além de também ter obtido críticas incrivelmente positivas. Os críticos elogiaram o tom refrescante do filme, o paladar visual colorido e o desempenho revitalizado de Hemsworth. Este filme se firmou como o melhor filme de Thor e um dos melhores filmes da Marvel até agora.

Thor Ragnorak foi uma declaração muito forte de que a Marvel não tinha medo de aprender com os erros. A quase completa reinicialização do filme de Thor – do senso de humor ao corte de cabelo – é essencialmente uma admissão de que os dois filmes anteriores realmente não representava o Deus do Trovão, e foi preciso alguém como Waititi para trazer o carisma de Hemsworth à superfície da melhor forma possível. Também é impressionante, após reflexão, que Waititi recebeu tanta liberdade para realmente retrabalhar e brincar com Thor e os personagens que o cercam. Em contraste com os dois filmes anteriores de Thor, Ragnarok é basicamente uma peça de conjunto, da represália de Loki de Hiddleston ao personagem que roubou a cena de Waititi, Korg.

OS ReVindagores: Salvando Asgard… ou não

Thor: Ragnarok marcou uma mudança significativa na abordagem do MCU para fazer filmes, e o timing não foi coincidência. Antes de desenvolvimento de Thor: Ragnarok, a Marvel Studios foi estruturada para que Kevin Feige se reportasse diretamente ao CEO da Marvel Entertainment, Ike Perlmutter, uma famosa figura equivocada que tomou decisões brilhantes como limitar o número de brinquedos da Viúva Negra porque “brinquedos femininos não vendem. Além disso, Perlmutter instalou um “Comitê Criativo da Marvel” composto por indivíduos que dariam notas sobre os filmes da Marvel em pleno desenvolvimento. Eles notoriamente sugeriram que James Gunn abandonasse sua trilha sonora inspirada nos anos 70 para os Guardiões da Galáxia, e teriam sido a grande razão pela qual Edgar Wright decidiu sair do Homem-Formiga.

Em agosto de 2015, Feige reorganizou com sucesso a forma como os filmes da Marvel Studios foram feitos. Ele não precisava mais se reportar a Perlmutter e, em vez disso, se reportaria diretamente ao chefe do estúdio da Disney, Alan Horn. Isso significava não mais a intromissão de Perlmutter e, após essa reestruturação, uma das primeiras ordens de negócios de Feige foi dissolver o Comitê Criativo da Marvel. Em outubro de 2015, Feige havia contratado Waititi para dirigir Thor: Ragnarok, e naquele inverno trouxeram novos escritores para trabalhar no roteiro. A liberdade criativa que permitiu que Thor: Ragnarok fosse tão diferente dos outros filmes, foi um resultado direto dessa grande mudança organizacional na Marvel em agosto de 2015.

Thor: Ragnarok não seria o último filme novo radical no MCU, com Feige e Cia. continuando ultrapassando limites com maiores riscos e apostas maiores em cineastas talentosos, o que resultaria em primeiro candidato do Oscar de melhor filme. Na próxima semana, vamos nos aprofundar na criação do Pantera Negra.

“Você é o Deus do Trovão ou o Deus do Martelo?” – Odin, Pai de Todos.
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