Quando Homem de Ferro estreou nos cinemas em 2008, era o primeiro filme da recém-criada Marvel Studios. A criação e mais ainda, a produção de um filme de um herói do segundo escalão da Casa das Ideias foi uma jogada muito arriscada para a Marvel, visto que o fracasso poderia ter feito a editora perder seus principais personagens, pois o empréstimo para a criação do estúdio só foi dado após um contrato que os seus heróis serem dados como garantia.

Mas com o sucesso do primeiro filme, a Marvel Studios continuou a fazer mais. Os filmes que vieram depois foram a sequência de Homem de Ferro, um novo filme do Hulk e os primeiros do Capitão América e Thor para finalmente juntar todos em Os Vingadores. Embora os filmes do Capitão e Thor tenham sido sucessos medianos, eles foram importantes para apresentar o restante da equipe que formaria a base para o filme Os Vingadores de 2012, dirigido por Joss Whedom, que foi um enorme sucesso, ultrapassando US$ 1,5 bilhões nas bilheterias mundiais. E foi o filme que apresentava Thanos em suas cenas pós-créditos.

A batalha final entre a equipe do Capitão e a ordem negra. Neste filme, Rogers teve pouca participação

Após esse filme, a Marvel começou a pensar em como utilizar o Titã Louco. E começou a mapear como era o futuro do MCU, então a Marvel Studios decidiiu usar Vingadores 3 como uma maneira de finalmente pegar a participação especial de Thanos no final de Os Vingadores e transformar isso em uma saga.

Um vilão do tamanho de Thanos não poderia ser de apenas um filme, e ele não serviria apenas como um simples antagonista. Assim, nasceu uma ideia: um épico em duas partes dos Vingadores que não apenas traz Thanos firmemente para o MCU, mas marca uma conclusão para a história desse universo que foi contada até agora. Foi assim que um dos maiores filmes da história, Vingadores: Guerra Infinita, foi criado.

Em Guerra Infinita, o Homem-Aranha estreia seu traje de Aranha de Ferro

Vingadores: Guerra Infinita, assim como Vingadores: Ultimato, nasceram em um retiro criativo da Marvel Studios, como relatado pelo presidente da Marvel Studios, Kevin Feige. E um dos retiros que a Marvel fazia deste o primeiro Homem de Ferro, Kevin Feige e sua equipe criativa estavam, em 2014, pensando como fariam Vingadores Guerra: Infinita e Ultimato, principalmente como utilizar Thanos que foi apresentado no primeiro filme dos Vingadores. A ideia era fazer um filme dividido em dois para economizar.

Logo após esse retiro, em outubro de 2014, o estúdio anunciou Vingadores: Guerra Infinita Parte 1 e Parte 2, que seriam lançados em 4 de maio de 2018 e 3 de maio de 2019, respectivamente. Nisso, Whedon estava finalizando Vingadores: A Era de Ultron. Whedon estava cotado para ser o diretor dos outros filmes dos Vingadores, mas graças ao imenso desgaste que passou nesse filme, ele se recusou a voltar mais uma vez. O diretor também admitiu que embora o tenha apresentado em Os Vingadores, ele não sabia o que fazer com Thanos, pois não o entedia direito.

O filme é contado pelo ponto de vista de Thanos

Com Whedon fora, um diretor capaz de liderar esse maciço empreendimento era necessário. Em abril de 2015, com as filmagens de Capitão América: Guerra Civil prestes a começar, a Marvel contratou os diretores Joe e Anthony Russo para assumirem a cadeira de diretor de Guerra Infinita 1 e 2. A contratação de ambos antes mesmo do início de Capitão América: Guerra Civil mostrava a força tanto de seus trabalhos como também de suas relações de trabalho com a Marvel Studios. Claramente, os Russos e a Marvel estavam de olho em como fazer esse tipo de filme. No mês seguinte, os roteiristas da Marvel e os veteranos do MCU, Christopher Markus e Stephen McFeely, foram encarregados de escrever o épico de duas partes.

Neste momento, a Marvel percebeu que não queria fazer dois meio-filmes, mas dois filmes diferentes. Então, veio a público que os filmes não seriam Vingadores: Guerra Infinita Parte 1 e Parte 2, seria apenas Vingadores: Guerra Infinita e o segundo filme teria o nome revelado mais adiante.

O trio que vai para o espaço enfrentar o Titã Louco

Quando Guerra Civil começou as filmagens, Markus e McFeely começaram a escrever o roteiro para os dois filmes dos Vingadores, com muitas anotações para finalizá-los, compartilhando documentos para o resto da Marvel. Durante essa fase de desenvolvimento, Markus, McFeely e os irmãos Russo exploraram brevemente o enredo dos quadrinhos em que Thanos é obcecado pela Morte- que é um ser físico -, mas acabou descobrindo que a adição de Lady Morte como personagem consumia muito tempo em uma história já cheia de personagens. Anthony Russo disse que não seria prudente colocar uma personagem que não tinha vínculos com o público em detrimento dos outros que já estavam no coração da plateia.

Feige disse que então eles pegaram a essência do relacionamento do Titã Louco com a morte, que era o equilíbrio entre a vida e a morte a crença de que a vida estava ficando descontrolada e fora de controle e precisava haver uma correção. Essa motivação foi perfeita para o personagem, que soou muito mais orgânica para o filme.

Thor finalmente prova que é um dos mais poderosos seres do MCU

Independentemente disso, a ideia por trás da Guerra Infinita era apresentar Thanos como protagonista do filme. Seria visto da perspectiva dele, como uma maneira convincente de apresentar esse Grande Mal que foi provocado por todos os filmes anteriores, mas que o público ainda não tinha conhecido formalmente.

Várias versões foram sendo escritas, todas para aprofundar a mentalidade Thanos. Todas as versões ajudaram a aprofundar ainda mais a motivação do Titã Louco. Em termos de estrutura, os cineastas tiveram a ideia de se aproximar Guerra Infinita como um filme de assalto, com Thanos caçando as Pedras do Inifinito e os Vingadores tentando acompanha-lo o tempo todo. Os Irmãos Russo citaram Irresistível Paixão (Out of Sight) como uma influência no estilo e na estrutura do filme.

Markus e McFeely começaram a escrever o filme em 2015, para o filme ser lançado em 2018, e neste tempo, vários heróis iam tendo seus filmes, como Homem-Formiga, Guerra Civil, Doutor Estranho, Guardiões da Galáxia Vol. 2, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Thor: Ragnarok e Pantera Negra. Com tantos heróis que iriam participar do filme ao mesmo tempo que eles tinham suas histórias, que seriam “concluídas” neste filme, para os escritores era como se estivessem tentando construir um automóvel já em movimento. Por exemplo, uma vez que Chris Hemsworth e Taika Waititi começaram essencialmente a reiniciar o personagem de Thor enquanto desenvolvia Thor: Ragnarok, eles se encontraram com os Irmãos Russo e Markus e McFeely para explicar a nova direção do personagem, que por sua vez mudou a forma como Thor se encaixava na Guerra Infinita.

Após ser derrotado por Thanos, Banner se junta ao Doutor Estranho e Tony

Esse processo colaborativo se estendeu a todos os diretores do MCU, pois o diretor de Pantera Negra, Ryan Coogler, e sua equipe forneceram aos Irmãos Russo um mapa de Wakanda para a batalha do terceiro ato de Guerra Infinita, e James Gunn ofereceu uma visão inestimável das cenas que mostram os Guardiões da Galáxia – chegando ao ponto de sugerir duas opções para as músicas que seriam usadas na introdução dos personagens. Gunn até discordou de um ponto importante na história. A cena em questão era quando Gamora, presa por Thanos, pede ao Senhor das Estrelas para a matar, ao qual, no roteiro original, ele não conseguia. Gunn então sugeriu que ele atirasse, o que foi aceito pelos escritores.

Os roteirista exploraram todas as combinações possíveis de interações entre os personagens, como o romance de Natasha (Scarlett Johansson) e Bruce (Mark Ruffalo), mas que abandonaram por achar que não seria orgânico um romance sabendo que Thanos estava vindo e a preocupação era detê-lo.

Feige explicou que durante todos esses anos eles estavam decidindo quem sobreviveria ao estalo e quem seria apagado, mais embora tivessem muitas variações, com fotos dos personagens na mesa para serem escolhidos, o que foi apresentado no filme foi o que eles já tinham decidido deste o início.

No espaço, Stark, Aranha e Estranho se juntam aos Guardiões da Galáxia para lutar contra Thanos

Essa determinação foi baseada em uma combinação de cujas mortes seriam mais impactantes e na criação de uma história que deixasse os Vingadores originais vivos indo para o Ultimato. Afinal, com a apresentação de Pantera Negra e o relacionamento de pai e filho entre Peter Parker e Tony Stark, a morte deles era, com certeza, muito impactante.

A conclusão do filme, de acordo com Feige, não poderia ser outro senão o estalar de dedos de Thanos com a Manopla do Infinito. Mesmo sendo debatido por anos, este sempre foi a conclusão para o produtor. Outro benefício de terminar com o vilão vencendo é que a Marvel poderia combater os críticos que reclamaram que seus filmes eram seguros e previsíveis – embora isso não significasse que Feige não estivesse suando na semana do lançamento.

Senhor das Estrelas e Homem de Ferro se unem para um plano contra o Titã Louco

Para enganar o público e não deixá-los saber o que iria acontecer no filme, a Marvel até filmou cenas extras que nunca foram feitas para entrar no filme (como a totalidade dos Vingadores correndo em direção à câmera em Wakanda. Afinal, o impacto desse final é mais sentido quando você não tem ideia de para onde está indo ou tem a ideia errada de onde está indo. Para manter os segredos em segredo durante as filmagens, Markus e McFeely escreveram scripts falsos, sendo Robert Downey Jr. e Chris Evans os únicos dois atores que leram o roteiro inteiro. Outros atores meramente tiveram suas cenas individuais, mas nada mais.

Além disso, as já famosas cenas pós-créditos não foram incluídas até os Irmãos Russos terminarem de filmar a conclusão do filme, e decidirem qual cena pós-crédito fosse ser um gancho para Ultimato e Capitã Marvel.

Nem todo o poder do Homem de Ferro poderia vencer Thanos e a Manopla do Infinito

As gravações principais de Vingadores: Guerra Ininita começou oficialmente em 23 de janeiro de 2017 e foi marcada com um vídeo com Downey, Pratt e Tom Holland. De fato, a primeira cena a ser filmada para Guerra Infinita fez parte da batalha em Titã no final do filme.

Embora a ideia inicial por trás de Guerra Infinita e Ultimato fosse filmar os dois filmes ao mesmo tempo, foi revelado pouco antes do início da produção que o plano havia mudado e, em vez disso, eles seriam filmados um após o outro. O motivo dado na época era que era muito “complicado”, mas, como se vê, o motivo real era que o roteiro dos Vingadores: Ultimato ainda não estava pronto e Markus e McFeely precisavam de mais tempo para trabalhar no script. Feige disse que a ideia iria gerar economia, mas o roteiro de Ultimato ainda seria escrito e o de Guerra Infinita ainda estava sendo finalizado.

A produção consecutiva ocorreu principalmente nos estúdios Pinewood Atlanta, no condado de Fayette, na Geórgia, embora tenha havido algumas interrupções significativas para o elenco e a equipe, e uma grande pausa entre as filmagens de Guerra Infinita e Ultimato para os atores poderem concluir seus outros compromissos.

Wakanda é palco da batalha final contra a Ordem Negra e Thanos

As filmagens de Guerra Infinita terminaram em 14 de julho de 2017, com a equipe fazendo uma pausa de um mês antes de rodar as câmeras novamente para Ultimato – embora algumas cenas da Guerra Infinita tenham sido filmadas após esse intervalo também.

Após um período de pós-produção muito intenso, que envolveu renderizar o personagem de Thanos do zero, juntamente com mais de 3.000 cenas de efeitos visuais totais, Vingadores: Guerra Infinita chegou aos cinemas em 27 de abril de 2018. O filme recebeu críticas positivas, mas foi seu desempenho nas bilheterias que realmente impressionou – especialmente apenas alguns meses depois que o Pantera Negra da Marvel explodiu nas bilheterias. A Guerra Infinita quebrou o recorde de fim de semana de estreia com US$ 257,6 milhões e arrecadou um total de US$ 678,8 milhões no mercado doméstico e US$ 2,048 bilhões no mundo. Foi o filme de maior bilheteria de 2018 e ainda permanece como o quarto filme de maior bilheteria de todos os tempos.

A Ordem Negra é muito poderosa. Aqui, destroem a nava asgardiana e Thanos mata Loki

Na era dos filmes de super-heróis que governam as bilheterias e a conversa cultural, Vingadores: Guerra Infinita permanece como um épico genuíno. Combinar todos esses personagens díspares no mesmo filme e ao mesmo tempo apresentar um grande vilão de uma maneira atraente não é tarefa fácil, mas os cineastas sabiamente escolheram apresentar a Guerra Infinita do ponto de vista de Thanos. Ainda temos os momentos dignos de emoções de nossos heróis, com certeza, mas, sabendo qual história o Ultimato contaria, a estrutura da Guerra Infinita serve muito bem a seu propósito. E embora o filme não seja exatamente independente, Guerra Infinita e Ultimato são certamente distintos do ponto de vista estrutural, tonal e estético.

Esse final enorme deixaria o público em suspenso por um ano inteiro, e assim como o Homem-Formiga serviu como um respiro após Os Vingadores em 2012, a sequência do filme de Paul Rudd ocuparia o papel inviável de seguir Guerra Infinita, mas oferecendo praticamente zero de clareza ou dicas para onde as coisas estavam indo para Ultimato. Na próxima semana, vamos falar sobre a produção de Homem-Formiga e a Vespa.

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